O senador e candidato ao Governo de Mato Grosso, Wellington Fagundes (PL), passou a ser alvo de novas acusações durante a corrida eleitoral. O ex-prefeito de Juara, Priminho Riva, afirmou que o parlamentar teria exigido a devolução de 20% de valores de emendas destinadas ao município quando ainda exercia mandato de deputado federal.
A declaração foi feita em entrevista e envolve recursos que, segundo Riva, seriam destinados à construção de pontes. O ex-prefeito afirmou que teria inicialmente resistido à suposta cobrança, mas acabou aceitando diante da necessidade de garantir os recursos para obras consideradas urgentes.
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Segundo o relato, o percentual teria sido pago por meio de depósito na conta de um assessor ligado ao parlamentar, e não diretamente a Wellington. Riva também afirmou que se sentiu “extorquido” e alegou que outros prefeitos teriam enfrentado situações semelhantes.
As acusações, entretanto, não significam comprovação de irregularidade. Até o momento, os relatos apresentados pelo ex-prefeito permanecem no campo das denúncias e não representam uma condenação ou confirmação judicial de que os fatos tenham ocorrido da forma descrita.
De acordo com Riva, a suposta cobrança teria afetado a execução das obras previstas para Juara. O ex-prefeito afirmou que, depois do desconto que diz ter ocorrido, o município precisou buscar apoio de produtores rurais e moradores para conseguir materiais necessários à construção das pontes.
O caso levanta questionamentos sobre a utilização de emendas parlamentares e a relação entre parlamentares e gestores municipais. Se uma cobrança irregular sobre recursos públicos fosse comprovada, seria necessário esclarecer quem teria feito a solicitação, quem recebeu os valores e qual seria a origem e a destinação do dinheiro.
Esses pontos, porém, ainda dependem de documentos e de eventual investigação.
A assessoria de Wellington Fagundes classificou as declarações como infundadas, sem provas e de caráter eleitoral.
O senador nega as acusações e sustenta que não há elementos que comprovem a cobrança ou o recebimento do percentual mencionado pelo ex-prefeito.
Em situações desse tipo, a confirmação dos fatos depende da análise de documentos, contratos, empenhos, pagamentos, registros bancários e depoimentos de pessoas que possam ter conhecimento das operações.
Até o momento, não há comprovação judicial apresentada de que Wellington tenha efetivamente cobrado ou recebido os 20% citados por Riva.
A nova denúncia também recupera acusações feitas contra Wellington em outros momentos de sua trajetória política.
Em 2006, durante o escândalo conhecido como Sanguessugas, o então deputado foi acusado pelo empresário Luiz Antônio Vedoin de ter combinado uma comissão de 10% sobre determinadas emendas parlamentares. Wellington negou envolvimento nas irregularidades e apresentou sua defesa na época.
Anos depois, em 2010, o nome do parlamentar também apareceu em acusações relacionadas à Operação Atlântida. Na ocasião, surgiram relatos sobre supostos percentuais envolvendo contratos de obras na região do Araguaia.
Assim como ocorre com a denúncia atual, aquelas informações estavam inseridas no contexto de investigações e depoimentos e não podem ser tratadas automaticamente como prova de responsabilidade criminal.
Os episódios voltaram a ser mencionados no debate político porque Wellington disputa atualmente o Governo de Mato Grosso.
O episódio acontece em uma fase de acirramento da corrida pelo Palácio Paiaguás. Wellington é um dos principais nomes da disputa e tem como adversários candidatos como Otaviano Pivetta.
Pesquisa Quaest divulgada em agosto apontou Wellington com 27% das intenções de voto, contra 23% de Pivetta. A diferença ficou dentro da margem de erro, configurando empate técnico.
Nesse cenário, denúncias envolvendo emendas parlamentares e suposta cobrança de percentuais podem ser utilizadas pelos adversários durante a campanha e aumentar a pressão sobre o candidato.
Por outro lado, a defesa de Wellington deverá explorar a falta de provas apontada pela própria assessoria e classificar a denúncia como uma tentativa de interferência eleitoral.
A principal questão agora é verificar se existem elementos capazes de confirmar o relato apresentado pelo ex-prefeito.
Uma eventual apuração poderia esclarecer se houve solicitação de percentual sobre as emendas, quem teria determinado ou recebido os valores, para qual conta o dinheiro teria sido transferido e quais recursos públicos estariam envolvidos.
Também seria necessário verificar se existem documentos, registros bancários, mensagens, contratos ou testemunhas que sustentem a versão apresentada por Riva.
Sem esses elementos, a acusação permanece como uma declaração pública feita pelo ex-prefeito e contestada pelo senador.
Politicamente, a denúncia acrescenta um novo tema à disputa pelo Governo de Mato Grosso. O episódio envolve uma acusação grave, recursos públicos e a atuação de um candidato que tenta chegar ao comando do Estado.
A oposição deve utilizar o caso para questionar a atuação de Wellington durante sua trajetória parlamentar. A campanha do senador, por sua vez, deverá insistir na ausência de provas e na avaliação de que a denúncia tem motivação eleitoral.
O esclarecimento definitivo dependerá de eventual investigação e da análise dos elementos que possam confirmar ou afastar as acusações.
Até o momento, portanto, não há comprovação judicial de que Wellington Fagundes tenha cobrado ou recebido os 20% mencionados por Priminho Riva. O que existe é uma acusação pública, acompanhada de uma negativa por parte do candidato.



