Conhecido pela atuação na comunicação, no audiovisual e no marketing político, Rafaell Milas decidiu deixar os bastidores e entrar diretamente na disputa eleitoral. Presidente do partido Missão em Mato Grosso e integrante do MBL há mais de uma década, ele afirma que o convite do presidenciável Renan Santos foi determinante para aceitar o desafio de disputar o Governo de Mato Grosso.
Em entrevista, Milas fala sobre os motivos que o levaram a entrar na política, a exposição e as críticas que passou a receber desde o anúncio da candidatura, além dos planos para a estruturação do Missão no estado e das possibilidades para as eleições municipais de 2028.
Ao longo da conversa, o candidato também comenta sua relação com a imprensa, faz críticas a adversários e administrações municipais e aborda a disputa com Wellington Fagundes. Questionado sobre a decisão da Justiça Eleitoral que determinou multa de R$ 5 mil após ele chamar Fagundes de “corrupto”, Milas reafirma a declaração e apresenta sua interpretação sobre episódios envolvendo o adversário e processos do passado.
Com um discurso de renovação da direita e críticas ao atual cenário político, Milas defende que sua candidatura representa a passagem da atuação nos bastidores para uma participação direta na política de Mato Grosso.
COPopular- Candidato, o senhor construiu uma trajetória de destaque nos bastidores da comunicação, do audiovisual e do marketing político. O que motivou a decisão de deixar os bastidores e entrar na disputa pelo Governo de Mato Grosso? Quais fatores pesaram nessa escolha?
Rafaell Milas- Foram duas razões. Primeiro, o convite oficial e ao vivo do nosso presidenciável, Renan Santos, que, durante uma live, fez o convite diretamente: “Rafael Milas, você será meu candidato ao governo de Mato Grosso”.
Eu conheço o Renan há mais de 12 anos, e ele confia em mim. Também faço parte do MBL há 12 anos. Ele, conhecendo meu trabalho e minhas qualidades, entendeu que eu poderia assumir essa missão e me convidou para ser candidato ao governo.
Mas também houve uma segunda razão. Por trabalhar nos bastidores da política durante toda a minha trajetória e por passar boa parte do tempo gravando vídeos para reclamar dos políticos, eu comecei a pensar: “Cara, eu estou ficando velho. Estou gravando o dia inteiro vídeos reclamando dos políticos”. Então, somando isso ao convite do Renan, pensei que talvez tivesse chegado a hora de sair um pouco da reclamação e partir para a ação.
Tenho certeza de que posso contribuir muito com uma visão mais moderna para Mato Grosso. Acredito que, por ocupar a presidência do partido, pelo convite do Renan e também por decidir sair um pouco da indignação e partir para a ação, estou preparado para assumir essa missão.
COPopular- Você passou boa parte da sua trajetória nos bastidores, inclusive fazendo críticas a políticos e à atuação da classe política. Agora, como candidato, passou a ser alvo de críticas da imprensa, de jornalistas e de adversários. Como tem sido viver essa mudança de posição e sentir, na prática, o outro lado dessa exposição?
Rafaell Milas- Cara, eu confesso que o que mais me incomoda são as fotos horrorosas que colocam de mim toda vez. Eu reparei nisso esses dias e falei: “Cara, o povo vai falar mal de mim, e vocês ainda colocam uma foto muito ruim”.
Mas eu entendo. Vocês fizeram uma brincadeira agora, mas isso também serve para eu entender como funciona o jogo. Eu não levo para o coração. Entendo que esse é justamente o papel da imprensa, e estou preparado para isso.
COPopular- Esta é a primeira eleição do Missão, partido que surgiu a partir do MBL e que recentemente obteve o registro junto ao TSE. Você hoje tem uma dupla responsabilidade: disputar o Governo de Mato Grosso e, ao mesmo tempo, contribuir para a estruturação e consolidação do partido no estado. Como você avalia o desempenho do Missão nesta primeira eleição e quais são os planos para ampliar a presença da legenda nas próximas eleições, especialmente em 2028, com a disputa pelas prefeituras e câmaras municipais?
Rafaell Milas- É muito difícil conciliar os dois lados ao mesmo tempo, e eu entendo que o partido Missão ainda não tem nem um ano de existência. Mesmo assim, já somos um dos partidos com maior número de filiados e de pessoas se inscrevendo, justamente por termos um arcabouço intelectual por trás.
Nós temos um livro de ideias, o Livro Amarelo, uma revista impressa, uma rede social e um festival de música. Ou seja, o MBL continua existindo enquanto movimento, mas o CNPJ é uma coisa à parte, e temos o partido Missão.
É uma direita que entra na cultura, uma direita moderna, com uma estética diferente da direita bolsonarista. Então, eu acho que é muito promissor. O futuro é, de fato, muito promissor, porque, em menos de um ano, já temos um candidato à Presidência viável, governadores pelo país inteiro, deputados federais e estaduais.
Então, considerando o pouco tempo de existência, o fato de o partido já ter conseguido avançar tanto me faz acreditar que o caminho pela frente será muito positivo para o partido e para o Brasil. Hoje, na minha visão, somos muito condicionados ao debate entre PT e PL, que ficam discutindo questões que, muitas vezes, não mudam a realidade na prática e acabam se concentrando em questões ideológicas.
O partido Missão é uma direita que tem um propósito, um projeto de poder e um projeto escrito. Nós temos propostas e soluções para o Brasil a curto, médio e longo prazo. Tenho certeza de que é um partido que pode contribuir para colocar o Brasil e Mato Grosso no caminho do desenvolvimento e construir um futuro melhor para todos nós.
COPopular- Caso não seja eleito governador, existe a possibilidade de você disputar uma vaga de vereador em 2028? Considerando as críticas que você tem feito à atuação de prefeitos do PL e, especificamente, à gestão de Abílio, você cogita entrar na disputa municipal e eventualmente concorrer à Prefeitura de Cuiabá?
Rafaell Milas- Olha, assim como eu não escolhi ser governador, eu sou um homem de partido. Recebi o convite do Renan, aceitei e vou esperar a orientação do partido. O que o partido entender que é melhor para mim, eu aceito.
Mas não é que eu critique os prefeitos do PL. É que, por coincidência, todos são muito ruins.
Você pega o Abílio, um prefeito de direita que desapropria terra, briga com empresário, arruma confusão, tem casos de assédio com o melhor amigo dele e questões envolvendo a MT Press.
Então, assim, eles têm algo em comum: são incompetentes e têm uma gestão muito ruim. Eu falo de políticos ruins, mas não é por coincidência que, na minha avaliação, muitos políticos ruins e oportunistas estão no PL.
Haja vista o meu adversário, Fagundes, que historicamente foi de esquerda. Saiu uma matéria dizendo que, em 1996, ele foi fazer um implante de cabelo e teria alegado que estava fazendo uma cirurgia de hemorroidas para ser reembolsado.
Então, assim, gente, é só malandragem, pelo amor de Deus. Tem que passar isso a limpo em Mato Grosso para, finalmente, a gente evoluir neste estado.
COPopular- Candidato, o combate à corrupção é uma das principais bandeiras do seu discurso. Após a Justiça Eleitoral aplicar uma multa de R$ 5 mil ao senhor por chamar Fagundes de “corrupto”, sob o entendimento de que houve uma acusação categórica baseada em suspeitas e fatos do passado, como o senhor avalia essa decisão? Onde, na sua visão, está o limite entre fiscalizar e cobrar explicações de um adversário e fazer uma acusação que exige comprovação? E, diante da decisão judicial, o senhor mantém a afirmação que fez ou reconhece que ultrapassou esse limite?
Refaell Milas- Olha, eu sustento o que disse. Se vier um processo, estou pronto, porque, na minha humilde opinião, e isso é uma opinião minha, não uma acusação, Wellington Fagundes é corrupto.
Se você pegar o processo da Sanguessuga e ler, na minha interpretação, você vai perceber que a questão não se resume simplesmente a uma absolvição por falta de provas. Houve decisões e discussões judiciais relacionadas ao processo, e eu entendo que é preciso olhar para todo o histórico.
Quando você pega as acusações feitas pelo Ministério Público, as relações apontadas no processo e outros episódios envolvendo a política de Mato Grosso, eu vejo elementos suficientes para questionar o comportamento dele. Na minha visão, há muitas questões que não podem simplesmente ser ignoradas.
Quando eu vejo denúncias envolvendo prefeitos, questionamentos sobre emendas e outras situações relacionadas ao nome dele, somadas ao caso da Sanguessuga e a outros episódios, eu penso: não pode ser tudo coincidência.
Eu, como analista político, como crítico e agora como candidato, olho para todo esse histórico e entendo que é meu papel chamar a atenção das pessoas para essas questões.
Se a gente for usar a lógica de que só podemos considerar aquilo que a Justiça determina em uma decisão definitiva, então teríamos que dizer que qualquer pessoa que não tenha uma condenação vigente é inocente de todas as acusações que já enfrentou. E eu não vejo a política dessa forma.
Existem casos de políticos que foram condenados e depois tiveram essas condenações anuladas ou deixaram de produzir efeitos por questões processuais. Isso não significa, na minha opinião, que o histórico deixe de existir ou que as pessoas não possam analisá-lo.
Então, eu, como alguém que está nesse meio político, acho que tenho a obrigação de abrir os olhos das pessoas. Basta ler os processos, conhecer os fatos e tirar as próprias conclusões.
Inclusive, existe um livro que trata do patrimônio e da atuação de políticos e que dedica um capítulo a Wellington Fagundes. Então, gente, eu não sou bobo. Na minha opinião, continuo entendendo que Wellington Fagundes é corrupto.



