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ENTREVISTA DA SEMANA Segunda-feira, 20 de Julho de 2026, 10:21 - A | A

Segunda-feira, 20 de Julho de 2026, 10h:21 - A | A

“Já começou”, diz Júlio Campos ao relatar supostas ofertas para influenciar decisão do partido sobre eleição de 2026

“Os sites de Cuiabá estão horrosamente”

Ana Carolina Guerra
Tangará Online
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Com as articulações políticas para as eleições de 2026 ganhando força em Mato Grosso, o cenário eleitoral começa a ser definido nos bastidores, especialmente dentro dos partidos que ainda avaliam suas estratégias e alianças. Em entrevista ao Centro Oeste Popular, o deputado estadual Júlio Campos afirmou que o grupo liderado pelo senador Jayme Campos está mobilizado para viabilizar uma candidatura própria ao Governo do Estado e demonstrou confiança na decisão dos convencionais que irão definir o futuro da sigla.

Segundo Júlio Campos, 48 convencionais estarão aptos a participar da votação interna que irá escolher entre dois caminhos: a candidatura própria de Jayme Campos ou uma possível composição com o Republicanos. O parlamentar também comentou as articulações para formação de alianças, a preparação da campanha, pesquisas eleitorais, possíveis nomes para compor a chapa majoritária e as denúncias de supostas propostas indevidas envolvendo integrantes do partido.

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Durante a entrevista, Júlio ainda falou sobre a possibilidade de uma CPI para investigar denúncias envolvendo empréstimos consignados a servidores públicos, além de avaliar o cenário das disputas ao Senado e as negociações entre as principais forças políticas de Mato Grosso.

 

Centro Oeste Popular – Deputado, com as eleições se aproximando e o cenário político começando a se definir, o senhor acredita que Jayme Campos reúne as condições necessárias para disputar o Governo de Mato Grosso? O que fundamenta essa avaliação?

Júlio Campos – Olha, estamos fazendo um esforço muito grande junto aos convencionais. Agora são 48, porque dois convencionais foram impedidos de votar. Então, nós temos 48 convencionais aptos para, no dia 30, escolher entre dois projetos. Um projeto é o da candidatura própria, que é o projeto do senador Jayme Campos. O outro é uma possível coligação com o Republicanos, que é o projeto do ex-governador Mauro Mendes. Os convencionais irão, democraticamente, por voto secreto, decidir entre as duas propostas. Estamos confiantes de que teremos maioria absoluta nessa votação. Agora, você sabe como é. Daqui até o dia 30, muita água pode correr por baixo da ponte, mas nós estamos plenamente confiantes de que a grande maioria dos militantes, filiados e convencionais são pessoas dignas e honradas, que não vão aceitar propostas indecorosas partidas de determinados empresários que têm grandes interesses no Governo de Mato Grosso.

Centro Oeste Popular – Há rumores de movimentações envolvendo a chamada "mala branca" neste período de articulações eleitorais. O senhor tem conhecimento dessas práticas? Pretende tornar públicas essas informações ou acredita que ainda não é o momento de tratar do assunto?

Júlio Campos – Já começou, já começou. Não posso dizer porque nós ainda estamos recebendo as denúncias do interior. Alguns emissários já estão chegando até determinados convencionais do partido, oferecendo coisas grandiosas. Esse é um caso de gravidade. Se for constatado, vamos acionar o Ministério Público Eleitoral para acompanhar de perto essa situação. Não, são propostas indecorosas.

Centro Oeste Popular – O senhor afirmou que dois nomes estariam impedidos. Quais seriam esses dois? Um ligado ao grupo do senador Jaime Campos e outro ao grupo do governador Mauro Mendes? Poderia explicar como essa avaliação se encaixa nas regras e no cenário político atual?

Júlio Campos – O que ocorreu foi o seguinte: um deles não pode ter voto duplo. O cidadão era membro do diretório e também delegado do município. Então, ele terá que votar como membro ou como delegado. A outra pessoa se desfiliou do partido, fato que só tomamos conhecimento agora. Dessa forma, ficaram 48 dos 50 convencionais aptos a votar. Dois não poderão participar da votação. São 12 apenas da nossa bancada aqui, praticamente: Júlio Campos, Sebastião Rezende, Dilmar Dal’Bosco, Jayme Campos, Lucimar Campos, Atsama, César Miranda. Eu faço isso aqui de cabeça, são 30.

Centro Oeste Popular – Se o partido confirmar apoio à candidatura de Otaviano Pivetta ao Governo do Estado, o senador Jayme Campos deve abraçar esse projeto e participar da campanha ou o senhor acredita que pode haver resistência por parte dele?

Júlio Campos – Isso é um assunto para ser discutido posteriormente.

Por enquanto, estamos confiantes, estamos nos organizando. Já estamos com a equipe de marketing e também com pesquisa. Contratamos uma pesquisa do Instituto Nacional, que nesta semana entra em campo. A nossa equipe estará nas ruas apurando a opinião popular. Então, estamos nos preparando para disputar para valer. Temos a cobertura do diretório nacional nesse sentido. Estamos conversando com possíveis aliados e mantendo um diálogo permanente com a pré-candidata ao Senado, Janaína Riva. Também estamos mantendo um entendimento com o presidente do Podemos, deputado Max Russi, na possibilidade de o Podemos indicar o vice-governador na chapa de Jayme Campos.  Além disso, estamos mantendo conversas com os pré-candidatos a deputados estaduais e federais. Já conseguimos mais candidatos a deputados estaduais e estamos nos preparando para disputar a eleição para ganhar.

Centro Oeste Popular – Deputado, em relação à estratégia para a campanha eleitoral, a prioridade será o contato direto com o eleitor, por meio de visitas e do chamado "corpo a corpo", ou o partido pretende investir de forma mais intensa em ações de marketing e comunicação?

Júlio Campos – Não, já estamos com o nosso marketing. Vocês são muito difíceis, não dão colher de chá para nós. Os sites de Cuiabá estão horrorosamente, estão todos nos vetando qualquer notícia com relação ao Jayme Campos. Mas, em todo caso, não é isso que vai ganhar a eleição. O convencional é consciente, e o eleitor é muito maior. Estou muito feliz com a pesquisa publicada ontem, de que o senador Edson continua liderando, o que é natural, com 27%. O senador esteve em segundo lugar, com 23%, e o atual governador aparece em terceiro, enquanto Natasha está em quarto.

Centro Oeste Popular – Deputado, o senhor pretende assinar um eventual pedido de CPI para investigar os consignados? E o que espera que essa investigação revele?

Júlio Campos – Não fui procurado e se for, eu assino na hora. Nunca neguei assinar uma CPI. Assinei todas as CPIs que foram pedidas. Só foi instalada, lamentavelmente, uma, que é a da Saúde, mas eu estou disposto a assinar. Aliás, vou fazer um pronunciamento sobre consignados, porque, realmente, o servidor público de Mato Grosso está sendo muito prejudicado com essa patifaria, com essa roubadeira e essa corrupção que o sistema bancário brasileiro, em especial alguns bancos mais visados, estão fazendo contra o servidor público, deixando o servidor endividado, empobrecido e até passando necessidade.

Centro Oeste Popular - Quando mencionou essa conversa, a que tipo de proposta estava se referindo? Ela foi direcionada ao senador Jayme Campos?

Júlio Campos – É voltar à vaga de senador. A proposta que o Mauro Mendes fez, que o Pivetta retirou, é uma possibilidade. Como são duas vagas ao Senado, o senador poderia ser o segundo candidato ao Senado pela União Brasil, com apoio do PP e de todos. Mas, no momento, já não há mais espaço. Temos que entender que já está lotado. Temos sete candidatos ao Senado Federal. Uma candidatura de última hora, agora, não seria viável. Então, é preferível disputar o Governo. Se tiver que ir para o segundo turno, vamos lutar para ganhar. Se não for, vamos apoiar quem chegar ao segundo turno e participar da nova administração.

Centro Oeste Popular – Além da possível aliança entre União Brasil, MDB e Podemos, há outros partidos que também estão sendo considerados nas articulações para essa composição?

Júlio Campos – São pequenos partidos que pouco somariam, principalmente em relação ao horário eleitoral. Os três maiores partidos em debate são esses. Até porque os outros já estão comprometidos. O PSD, na verdade, tem apoio do PT, do PCdoB e do PV. O Wellington Fagundes tem apoio do Novo, praticamente. Então, resta o quê? Resta nós mesmos.


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