Na reta decisiva da campanha ao Governo de Mato Grosso, a candidata Natasha Slhessarenko (PSD) avalia o desempenho de sua candidatura e fala sobre as estratégias para ampliar o conhecimento de seu nome entre os eleitores. Em entrevista ao COPopular, ela também comenta as pesquisas eleitorais, a formação de sua aliança partidária e os apoios de lideranças políticas.
Natasha também responde a questionamentos sobre a relação com prefeitos que não apoiam sua candidatura, a construção de uma base na Assembleia Legislativa e os desafios para dialogar com diferentes correntes políticas. A candidata defende que as divergências ideológicas não devem impedir parcerias e afirma que temas como saúde, moradia, educação e segurança devem estar no centro das discussões sobre o futuro de Mato Grosso.
COPopular- Entrando na reta decisiva da campanha, como a senhora avalia o desempenho de sua candidatura até aqui? O resultado está dentro das expectativas traçadas desde a pré-campanha ou ainda está abaixo do patamar que a senhora esperava alcançar neste momento da disputa?
Natasha Slhessarenko- A gente está com uma candidatura muito bem consolidada. O início da propaganda eleitoral realmente faz muita diferença. A gente percebe isso, estávamos comentando ainda nos bastidores, como isso faz diferença.
Eu estou muito satisfeita e bastante motivada para continuarmos cada vez mais nessa jornada. São 45 dias de campanha e já passou quase a metade, né? Então, estou muito feliz de estar nessa caminhada.
Acredito que a junção de entrevistas como esta, podcasts, debates e sabatinas, aliada à mídia digital e à importância da TV e do rádio, realmente vai me fazer chegar aos mais longínquos lugares dos 142 municípios e me tornar bastante conhecida, que é o nosso objetivo.
Queremos que a população escute, conheça quem é a doutora Natasha, o que ela tem a oferecer e por que votaria na doutora Natasha.
COPopular- As pesquisas apontam que uma parcela significativa dos eleitores ainda não conhece a sua candidatura e, entre aqueles que dizem conhecê-la, há também um percentual que afirma não votar na senhora. Diante desse cenário, o que faz a senhora acreditar que sua candidatura tem condições de chegar ao segundo turno e, com isso, alcançar um resultado inédito em Mato Grosso?
Natasha Slhessarenko- Inédito, né? Nunca teve. A gente fez toda uma frente. São oito partidos que, pela primeira vez nos últimos quase 40 anos de história política do nosso Estado, conseguiram reunir as forças progressistas.
Eu sou do PSD, mas tenho o apoio de mais sete partidos: PSB, PDT, PV, PT e PCdoB, compondo a Frente Brasil da Esperança, além do PSOL e da Rede. Então, todos esses partidos, obviamente, nos fortalecem e criam uma frente ampla, com nomes que também são bastante conhecidos.
A gente tem o senador Carlos Fávaro, que é senador, o senador Pedro Taques, o senador Antero... Então, temos figuras muito importantes dentro do contexto político.
E pesquisa, meninos, a gente sabe, né? Há dois anos, a gente tinha um candidato que estava eleito no primeiro turno e vimos que não é bem assim, né? Ele não foi sequer para o segundo turno.
As pesquisas internas nossas mostram um crescimento e que a gente está no caminho certo. Temos que fazer pequenos ajustes aqui e ali, mas isso faz parte. Política é ciência, né? A gente tem que acreditar nas pesquisas e seguir em frente, sempre com muita autenticidade, olhando no olho do cidadão, olhando no olho da cidadã e falando: “Olha, eu estou aqui. Essa sou eu e quero te ajudar. Quero melhorar a sua vida. Quero fazer a sua vida e a sua saúde melhorarem. Eu sei como fazer”.
E, desses candidatos que se colocam aí, todos já estiveram juntos. Há quatro anos, foram eles que me empurraram para fora do palanque.
Então, assim, a população só precisa saber que eu existo.
COPopular- Candidata, apesar dos apoios de diferentes lideranças, alguns prefeitos do próprio PSD não declararam apoio à sua candidatura ou não têm demonstrado publicamente esse alinhamento. Como a senhora avalia essa ausência de apoio de integrantes do próprio partido e como explica essa situação ao eleitor?
Natasha Slhessarenko- Na verdade, a gente precisa combinar com o povo. As pessoas precisam saber quem é a doutora Natasha.
Apoio político é importante? Prefeitos, vereadores... É lógico que é. Mas, mais importante do que esses apoios, é que a população apoie a doutora Natasha, que conheça a doutora Natasha: essa médica, essa professora, essa empresária, filha da ex-senadora Serys, que tem tanto serviço prestado por Mato Grosso.
Tem uma coisa que nunca vão poder falar da minha mãe: que ela foi uma pessoa que não trabalhou, que foi desonesta ou que teve algum caso de corrupção. Isso, não.
Então, assim, eu volto a dizer: é importante, lógico que é. Mas, mais importante do que isso, é que a população me conheça, que saiba quais são as nossas propostas e para que a gente está aqui.
COPopular- Os partidos que integram sua aliança têm atualmente pouca representatividade na Assembleia Legislativa. Caso seja eleita, como a senhora pretende construir uma base de apoio e garantir governabilidade diante de um Legislativo formado por diferentes forças políticas, incluindo partidos de direita, centro e outras correntes? A senhora acredita que poderá enfrentar dificuldades semelhantes às vividas pela prefeita Flávia, de Várzea Grande, no relacionamento com a Câmara Municipal?
Natasha Slhessarenko- Então, a palavra-chave é diálogo, né? A gente precisa, obviamente, estabelecer um diálogo franco, honesto e transparente, além de contar com o apoio popular.
É estar sempre em contato e dialogando com a população, para que ela saiba o que a gente está querendo e como estamos tentando levar essas propostas adiante.
E é tão importante, Rafael, esse seu questionamento. No centro do debate têm que estar os problemas reais da população.
Mato Grosso é um Estado maravilhoso, imenso, rico, mas que também tem problemas muito sérios e antigos. A gente tem aqui quase 500 mil pessoas que passam fome. Temos crianças que não têm acesso adequado à educação infantil. Nem um terço das crianças tem acesso a creches no nosso Estado.
Temos mulheres sendo assassinadas. Somos um dos Estados onde a violência contra a mulher apresenta índices muito altos.
Então, é isso que tem que estar no meio do debate. É isso que tem que estar no centro, e não essa questão ideológica.
Parece que nós estamos vivendo em uma constante eleição. A eleição acabou; vamos lá, todo mundo apertar a mão e seguir em frente, fazendo o melhor pelo nosso Estado, pelo nosso município e pelo nosso país. Mas, infelizmente, não é isso que a gente tem visto.
A gente precisa mudar essa cultura, e essa mudança começa a partir dos governantes, das pessoas que ocupam os cargos executivos e legislativos.
Então, a palavra-chave é diálogo. É estabelecer diálogo com a Assembleia, com os deputados eleitos que forem da nossa base, e manter sempre uma relação muito profunda e intensa com a população.
COPopular- Caso seja eleita, a senhora terá de governar em diálogo com prefeitos que possuem posições políticas diferentes das suas e que, em alguns casos, fazem oposição ao governo federal. Como pretende construir uma relação institucional com esses gestores, especialmente com aqueles que adotam uma postura mais distante ou de confronto em relação ao governo federal, e como pretende garantir parcerias em benefício dos municípios independentemente das diferenças políticas?
Natasha Slhessarenko- Eu sinto uma tristeza profunda se eles se recusarem a sentar à mesa, porque, na verdade, eles foram eleitos, assim como eu serei eleita, pela vontade popular para fazer o melhor pela população.
E, se alguém se recusar a sentar à mesa para fazer o melhor pela população, a gente precisa contar com o apoio popular e agir sempre com muita transparência. É preciso mostrar por que alguém seria contra receber, por exemplo, um programa que já tem um acordo para construir 55 mil moradias aqui em Mato Grosso, distribuídas pelos 142 municípios, sendo 20 mil destinadas à Faixa 0.
O prefeito que recusar isso vai ter que explicar para a população que o elegeu que não quer casas gratuitas para a população mais carente. Onde já se viu isso?
Então, a gente precisa começar a tirar essa nuvem que colocam, de que tudo tem que estar relacionado a este ou àquele espectro político. É preciso tirar isso da frente e colocar os problemas da população no centro do debate.
Nós temos aqui quase metade da população vivendo de aluguel, e um dos aluguéis mais caros do Brasil. Então, é importante que se tragam casas. Seja qual for o governo federal, eu vou lutar para trazer essas casas para cá.
Seja qual for o governo federal, eu vou continuar lutando para que a gente tenha campus da UFMT e do IFMT, porque eu fui eleita para defender os interesses da população. Não é para defender interesses ideológicos do campo A ou B.
Eu estou aqui para defender a população e fazer o melhor pelo Estado de Mato Grosso.



