A rotina de Ana Júlia Cortez da Guia, de 20 anos, começa a ser reconstruída fora do hospital. Depois de 18 dias internada, a estudante de Odontologia recebeu alta do Hospital Municipal de Cuiabá (HMC) e agora seguirá o tratamento em casa, acompanhada pela família.
A jovem passou por uma internação marcada pela gravidade dos ferimentos e por uma recuperação gradual. Foram duas semanas na UTI antes da transferência para a enfermaria, onde permaneceu por mais quatro dias. A notícia da alta foi compartilhada pelo pai com familiares, que acompanharam de perto a evolução do quadro desde o acidente.
Ainda não é possível falar em recuperação completa. Segundo o pai, Ana Júlia apresenta confusão e tem dificuldade para lembrar de acontecimentos. O neurologista que acompanha a estudante explicou que as alterações estão relacionadas ao traumatismo sofrido no cérebro e que a retomada das atividades e da vida cotidiana deverá acontecer progressivamente.
“Agora é um passo a passo e depende muito dela e de nós, família, para restabelecer sua saúde e vida cotidiana”, escreveu o pai.
Antes de chegar à atual etapa, Ana Júlia passou por um dos períodos mais delicados de sua vida. No dia 15 de setembro, ela estava a caminho do estágio de Odontologia quando perdeu o controle do Fiat Mobi que dirigia e atingiu um poste na Avenida Miguel Sutil, em frente ao Shopping Estação.
A colisão deixou a estudante presa no veículo. O Corpo de Bombeiros precisou fazer o resgate e retirá-la das ferragens.
Os ferimentos incluíram traumatismo craniano, fraturas nos dois braços e em três costelas, além de problemas no pulmão e sangramento e hematoma no cérebro.
A gravidade das lesões levou a família a receber, inicialmente, uma estimativa médica de apenas 5% de chance de sobrevivência. Com a evolução do quadro, essa estimativa chegou a 35%.
Em meio à internação, os médicos chegaram a investigar a possibilidade de morte encefálica. O exame realizado em 17 de setembro, porém, não indicou sinais da condição.
Poucos dias depois, houve uma mudança importante no quadro. Em 21 de setembro, Ana Júlia foi retirada do aparelho de ventilação e começou a apresentar respostas positivas ao tratamento.
A estudante também precisou passar por uma cirurgia para tratar as fraturas nos braços. Com a melhora clínica, deixou a UTI e foi encaminhada para a enfermaria, onde completou os últimos dias antes de receber alta.
Agora, a recuperação ganha uma nova fase. Longe do ambiente hospitalar, Ana Júlia continuará sendo acompanhada pela família e por profissionais de saúde, especialmente em relação às consequências neurológicas do traumatismo cerebral.
O pai agradeceu as mensagens e orações recebidas durante a internação e afirmou que a família seguirá ao lado da jovem durante o processo de retomada da rotina.



