O samba brasileiro perdeu um de seus nomes mais conhecidos na noite deste domingo (18). Benito Di Paula morreu aos 84 anos, no Hospital 9 de Julho, em São Paulo, após complicações de um câncer de próstata. O cantor enfrentava a doença havia cerca de um ano. Até o momento, não foram divulgados detalhes sobre a despedida e o sepultamento.
Com uma maneira particular de interpretar o samba ao piano, Benito construiu uma carreira que ultrapassou décadas e conquistou diferentes públicos. Suas músicas se tornaram conhecidas em todo o país, especialmente nos anos 1970, período em que emplacou alguns de seus maiores sucessos.
O artista completaria 85 anos em 28 de novembro. Nascido em Nova Friburgo, no Rio de Janeiro, ele recebeu o nome de Uday Vellozo e começou a trabalhar com música ainda antes de alcançar reconhecimento nacional, apresentando-se em casas noturnas e bailes.
Benito encontrou no piano uma forma própria de apresentar o samba. Em suas interpretações, o instrumento não servia apenas para acompanhar a voz: também ajudava a marcar o ritmo das canções, criando uma sonoridade que o diferenciava de outros sambistas.
Essa combinação deu origem a um estilo popular que ficou associado ao chamado “sambão-joia”. Embora tenha recebido críticas em parte da imprensa musical na época, sua obra ganhou espaço entre os ouvintes e, posteriormente, passou a ser relacionada às influências que ajudaram a abrir caminho para o pagode romântico.
A imagem do cantor também se tornou facilmente reconhecível. Cabelos compridos, acessórios chamativos e gravatas-borboleta faziam parte de sua apresentação nos palcos e nos programas de televisão.
O primeiro disco chegou ao público em 1971. Dois anos depois, Benito alcançou maior projeção com “Retalhos de Cetim”, música que se consolidou como uma das mais emblemáticas de seu repertório.
O sucesso abriu espaço para outras composições que ganharam popularidade, como “Charlie Brown”, “Do Jeito Que a Vida Quer” e “Assobiar e Chupar Cana”. As canções ajudaram a firmar seu nome entre os artistas de maior alcance popular daquele período.
Já nos anos 1980, “Amigo do Sol, Amigo da Lua” tornou-se outro destaque de sua discografia. A música ficou ainda mais conhecida ao ser associada à novela A Gata Comeu, exibida pela TV Globo em 1985.
A partir da década de 1990, Benito passou a lançar menos álbuns por grandes gravadoras, mas seu repertório continuou presente na música brasileira. Com o tempo, suas composições também despertaram o interesse de artistas mais jovens.
Em 2021, ano em que completou 80 anos, ele lançou um novo trabalho e retomou parte de sua trajetória musical em parceria com o filho, Rodrigo Vellozo. O projeto Benito 80: Novo Samba Sempre Novo reuniu releituras de suas canções e participações de nomes como Teresa Cristina, Xande de Pilares e Zeca Baleiro.
A homenagem também chegou ao Carnaval paulistano. Em 2025, a escola de samba Águia de Ouro levou a história do cantor para a avenida, e Benito participou do desfile em um dos carros alegóricos.
Sua trajetória deixa um repertório reconhecido pelo público e uma contribuição particular para o samba, especialmente pela maneira como transformou o piano em parte central de sua identidade musical.



