O governador Otaviano Pivetta (Republicanos) escolheu Eduardo dos Santos Manciolli para comandar a Casa Civil de Mato Grosso, uma das principais pastas de articulação política e institucional do Governo do Estado. O anúncio foi divulgado em 13 de outubro, após a eleição que confirmou a reeleição do governador. A mudança reforça a presença de um aliado político próximo de Pivetta no núcleo estratégico do Executivo estadual, em um momento de reorganização administrativa e preparação de uma reforma no governo.
Manciolli assume o lugar de Adjaime Ramos de Souza, que retorna à função de secretário-adjunto de Relações com os Municípios. A substituição ocorre após a saída de Mauro Carvalho Júnior, em agosto de 2026, quando Adjaime passou a comandar a Casa Civil. Com a nova mudança, o governo mantém Adjaime na estrutura da secretaria e entrega a chefia a um dirigente que participou diretamente da articulação política da campanha eleitoral de Pivetta.
Empresário, psicoterapeuta e presidente estadual do Republicanos, Eduardo dos Santos Manciolli é natural de Barra do Garças, no interior de Mato Grosso. Ao longo de sua trajetória, ocupou funções na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), no Executivo estadual e na estrutura partidária. Antes de ser escolhido para a Casa Civil, exerceu a chefia do Gabinete do Governador, posição que o aproximou das demandas administrativas e políticas do Palácio Paiaguás.
Manciolli deixou o Gabinete do Governador em agosto de 2026, a pedido, para se dedicar à campanha eleitoral. Durante a disputa, integrou a equipe de articulação coordenada pelo ex-secretário estadual de Fazenda Rogério Gallo, participando do diálogo com lideranças políticas e partidárias. A experiência e a proximidade com o grupo governista ajudam a contextualizar sua escolha para uma secretaria que exige interlocução permanente com deputados estaduais, prefeitos e representantes de diferentes setores da sociedade.
Na política partidária, Manciolli concorreu ao cargo de vereador em Barra do Garças em 2012, pelo então PRB, legenda que posteriormente passou a se chamar Republicanos. Antes de assumir a presidência estadual do partido, também exerceu a função de primeiro-tesoureiro. A nomeação para a Casa Civil aproxima a direção da sigla de uma das principais posições de articulação do Executivo, uma vez que o governador também pertence ao Republicanos.
A trajetória do novo secretário inclui ainda passagens pela Assembleia Legislativa. Em 2019, ele atuou como coordenador da Escola do Legislativo. Em 2023, passou a exercer a função de superintendente da instituição e, em 2025, ocupou o cargo de secretário de Escola e Memória do Legislativo. As funções estiveram relacionadas à organização administrativa e institucional do Parlamento estadual, proporcionando contato com a estrutura da Assembleia, que deverá ser um dos principais espaços de interlocução durante sua gestão.
À frente da Casa Civil, Manciolli terá entre os desafios acompanhar as demandas do Legislativo, manter o diálogo com deputados de diferentes partidos e contribuir para a construção de acordos em torno de projetos de interesse do governo. A experiência acumulada em funções públicas pode favorecer essa atuação, mas os resultados dependerão das negociações políticas, da coordenação com outras secretarias e das prioridades estabelecidas pelo governador.
A nomeação ocorre após a eleição de 4 de outubro de 2026, quando Pivetta foi reeleito no primeiro turno, com 60,77% dos votos válidos, segundo informações publicadas pelo Diário de Cuiabá. Nesse cenário, a Casa Civil ganha importância na organização política do governo e no encaminhamento das iniciativas previstas para o novo período administrativo. A escolha de um aliado que já trabalhou diretamente com o governador indica uma aposta na confiança política e no conhecimento da estrutura estadual.
Outro ponto que deverá marcar a atuação de Manciolli é a reforma administrativa anunciada por Pivetta após a eleição. Segundo informações do Diário de Cuiabá, o governador pretende revisar a estrutura das secretarias estaduais, avaliar despesas com pessoal e custeio e identificar possibilidades de redução de gastos e melhoria da eficiência da máquina pública. Para conduzir o processo, foi determinada a formação de uma comissão encarregada de analisar a organização do Executivo e apresentar propostas de mudanças, com previsão de participação de servidores e recebimento de sugestões.
A reforma poderá envolver alterações na estrutura de órgãos, redistribuição de atribuições e mudanças que dependam de aprovação da Assembleia Legislativa. Nesse contexto, a Casa Civil deverá desempenhar papel relevante na interlocução com os parlamentares e na articulação política necessária para o encaminhamento das propostas. O alcance das mudanças, no entanto, dependerá dos estudos administrativos e fiscais, das decisões do governador e, quando necessário, da tramitação legislativa.
A secretaria também atua no relacionamento institucional do Executivo com os municípios, entidades representativas e diferentes setores da sociedade. Por isso, a nova chefia deverá acompanhar demandas de prefeitos, auxiliar na coordenação de agendas governamentais e contribuir para a articulação das prioridades definidas pelo Palácio Paiaguás. A capacidade de diálogo com diferentes correntes políticas será importante para a condução dessas atividades, especialmente em pautas que exijam entendimento entre o governo estadual e o Legislativo.
A saída de Adjaime Ramos da chefia da Casa Civil não representa necessariamente uma ruptura com o trabalho anterior. Com seu retorno à função de secretário-adjunto de Relações com os Municípios, o governo mantém na estrutura da pasta um quadro que já conhece as demandas das administrações municipais e o funcionamento interno do órgão. Segundo o portal Primeira Página, a nomeação de Adjaime para a função de adjunto foi publicada em edição extra do Diário Oficial, com efeitos a partir de 15 de outubro.
A mudança também reforça o peso do Republicanos no desenho político do governo, já que Manciolli preside a legenda em Mato Grosso. A presença de um dirigente partidário no comando da Casa Civil pode facilitar a comunicação com integrantes do grupo governista, mas a aprovação de projetos e a implementação de mudanças administrativas exigirão diálogo com parlamentares de diferentes partidos e outros representantes políticos.
Nos próximos meses, a atuação do novo secretário deverá ser acompanhada a partir de medidas concretas, como a apresentação das propostas da reforma administrativa, o andamento de projetos do Executivo na Assembleia Legislativa, o encaminhamento de demandas municipais e a divulgação dos fundamentos das mudanças previstas para a estrutura estadual. Esses elementos permitirão avaliar os efeitos da troca no comando da pasta sem confundir a proximidade política do novo titular com resultados que ainda precisam ser demonstrados.
Com experiência no Gabinete do Governador, passagem pela Assembleia Legislativa e atuação na organização partidária, Eduardo Manciolli assume uma posição central na estrutura política de Mato Grosso. O desafio será transformar a experiência acumulada e a relação com o grupo governista em capacidade de articulação institucional e resultados administrativos. Mais do que a substituição de um secretário, a mudança evidencia o papel da Casa Civil na ligação entre o governador, os deputados estaduais, os municípios e os demais setores da sociedade, em um período que deverá ser marcado pela reorganização do governo e pela definição das próximas prioridades da gestão.



