A corrida pelas duas vagas de Mato Grosso no Senado Federal começa a ganhar contornos cada vez mais acirrados, e o nome do senador Carlos Fávaro (PSD) aparece no centro das articulações políticas.
Nos bastidores, o desempenho eleitoral do parlamentar vem sendo acompanhado com atenção por aliados e adversários. O cenário alimentou especulações sobre um eventual recuo da candidatura à reeleição. Fávaro, entretanto, já negou publicamente que pretenda desistir, classificando os rumores como especulação.
A discussão ganhou força principalmente diante da configuração da disputa, que reúne nomes conhecidos do eleitorado mato-grossense e torna a corrida pelas duas cadeiras altamente competitiva.
Pesquisa mostra disputa apertada
Um dos levantamentos mais recentes, divulgado pelo Instituto Veritá em 3 de setembro, colocou Fávaro com 20,5% das citações no cenário em que o eleitor pode escolher dois candidatos ao Senado.
O senador apareceu em quarto lugar, atrás de Mauro Mendes, com 33,5%, José Medeiros, com 30,4%, e Janaína Riva, com 21,5%. A diferença entre Fávaro e Janaína ficou dentro da margem de erro de três pontos percentuais.
O levantamento ouviu 1.220 eleitores e registrou também um contingente elevado de eleitores que não souberam ou não responderam.
O resultado mostra que a disputa ainda está aberta, mas também evidencia a necessidade de Fávaro ampliar sua presença eleitoral para garantir uma das duas cadeiras.
De onde vem a pressão
A pressão sobre a candidatura não está necessariamente relacionada a uma falta absoluta de competitividade.
O problema, para aliados, seria a existência de vários concorrentes fortes disputando o mesmo eleitorado.
Mauro Mendes e José Medeiros aparecem em posições de destaque em pesquisas recentes, enquanto Janaína Riva também se consolidou como uma candidatura competitiva.
Nesse ambiente, qualquer oscilação negativa pode aumentar a preocupação dentro do grupo político de Fávaro.
Rumores de desistência
As especulações sobre uma eventual mudança de rota chegaram a ganhar força em julho, quando surgiu a possibilidade de Fávaro abandonar a disputa pelo Senado e buscar uma vaga na Câmara dos Deputados.
O próprio senador, contudo, rejeitou publicamente essa possibilidade.
Na ocasião, afirmou que havia construído um projeto político com o PSD, com a Federação Brasil da Esperança e com o grupo ligado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, reafirmando o compromisso com a candidatura ao Senado.
Assim, até o momento, não há confirmação de desistência.
Ligação com Lula é trunfo e desafio
Outro componente da eleição de Fávaro é sua proximidade política com o presidente Lula.
O senador confirmou que pretende disputar a eleição em uma aliança formada por partidos da base governista e que deverá apresentar Lula como candidato à Presidência em Mato Grosso.
Essa associação pode representar uma vantagem para Fávaro entre eleitores alinhados ao governo federal.
Por outro lado, Mato Grosso possui um eleitorado historicamente mais conservador, o que transforma a relação com Lula em um dos principais elementos estratégicos da campanha.
O desafio será transformar o apoio da base governista em votos suficientes para garantir uma das duas vagas.
Estratégia precisa ser ampliada
Para permanecer competitivo, Fávaro terá de ampliar sua presença em todas as regiões do Estado.
A campanha deverá buscar uma combinação entre o eleitorado do agronegócio, setores empresariais, municípios do interior e grupos políticos ligados ao governo federal.
Sua passagem pelo Ministério da Agricultura também deverá ser utilizada como argumento eleitoral, principalmente para destacar ações relacionadas ao setor produtivo e à abertura de mercados.
No próprio material oficial de campanha, Fávaro apresenta sua trajetória entre o setor produtivo, o Senado e o Ministério da Agricultura como parte de sua atuação política.
Questões jurídicas também exigiram atenção
Outro episódio que chamou atenção durante o processo eleitoral ocorreu em agosto, quando uma ação no TRE-MT questionou a situação de Carmen Machado, segunda suplente da chapa de Fávaro.
Segundo informações divulgadas à época, a ação poderia atingir a chapa, mas o Tribunal Regional Eleitoral encerrou o processo após reconhecer problemas na legitimidade da autora e na utilização do instrumento jurídico.
Também houve uma intimação eleitoral relacionada ao registro de candidatura, com exigência de documentos complementares. As pendências foram objeto de providências pela defesa do senador.
Esses episódios, porém, não significam que a candidatura esteja automaticamente inviabilizada.
O jogo ainda está aberto
Apesar das dificuldades apontadas por adversários e das especulações de bastidores, Fávaro continua oficialmente no páreo.
A pesquisa mais recente disponível mostra que ele está apenas um ponto percentual atrás de Janaína Riva, considerando a margem de erro, o que demonstra que uma reação durante a campanha pode alterar completamente o quadro.
Ao mesmo tempo, a distância para os líderes evidencia que o senador precisará intensificar sua campanha para chegar às urnas em posição confortável.
Decisão nas urnas
A eleição para o Senado terá duas vagas em disputa, o que torna a estratégia dos candidatos diferente daquela adotada em uma eleição majoritária de apenas uma cadeira.
O eleitor poderá escolher dois nomes, aumentando a importância das alianças e da capacidade de cada candidato de estabelecer uma segunda opção junto ao eleitor.
Nesse cenário, Fávaro terá de convencer o eleitor de que pode ocupar uma dessas duas vagas.
Por enquanto, a tese de uma desistência permanece no campo das especulações. O próprio senador declarou que pretende manter a candidatura e seguir o projeto construído pelo PSD e seus aliados.
A verdadeira questão, portanto, não é se Carlos Fávaro já desistiu — não há confirmação disso —, mas se conseguirá reagir ao cenário competitivo e transformar sua estrutura política em votos suficientes para garantir a reeleição.
A resposta definitiva virá das urnas.



