Uma advogada, uma psicóloga e o pai delas estão no centro de uma investigação da Polícia Federal que apura um suposto esquema de tráfico internacional de cocaína e lavagem de dinheiro com base em Uberlândia, no Triângulo Mineiro. Segundo a PF, a família teria acumulado um patrimônio milionário incompatível com a renda declarada, incluindo ranchos, veículos de luxo, embarcações, motos aquáticas, cavalos de raça e um motorhome avaliado em cerca de R$ 1,2 milhão.
As investigações fazem parte da Operação Mens Occulta, deflagrada nesta terça-feira (2), e apontam que Mario Sergio Nunes e as filhas Brenda da Silva Nunes, advogada, e Bruna Nunes, psicóloga infantil, integrariam o núcleo principal da organização criminosa. O g1 informou que tenta contato com a defesa dos investigados.
De acordo com a Polícia Federal, a quadrilha atuava no tráfico internacional de cocaína, trazendo a droga do Paraguai para o Brasil por meio do Mato Grosso do Sul. Os entorpecentes eram escondidos em caminhões de carga para atravessar longas distâncias sem levantar suspeitas. Depois de chegar a Uberlândia, a droga era distribuída para diversas cidades e estados brasileiros.
Ao longo de aproximadamente dois anos de investigação, a PF relacionou o grupo à apreensão de cerca de 2,9 toneladas de cocaína em 11 flagrantes distintos.
Mario Sergio e a filha Brenda foram presos em um hotel na cidade de Uberaba durante o cumprimento dos mandados judiciais. Segundo o delegado Felipe Martins Perez Garcia, a advogada exercia papel de destaque dentro da organização e era considerada o braço direito do pai. Para os investigadores, a presença dos dois em um hotel no momento da operação levanta a suspeita de uma possível tentativa de fuga.
Já a outra filha investigada era considerada foragida até a última atualização do caso. Além deles, a esposa de Mario e genros da família também foram alvos de medidas judiciais.
Durante as investigações, a Polícia Federal identificou uma série de bens de alto padrão atribuídos ao grupo. Entre eles estão ranchos às margens da Represa de Miranda, apartamentos, embarcações, motos aquáticas, cavalos de raça, veículos importados e um motorhome de luxo utilizado em viagens para competições de três tambores em Barretos, no interior de São Paulo.
Segundo a PF, o patrimônio não seria compatível com a renda declarada pelos investigados. Relatórios de inteligência financeira apontaram movimentações próximas de R$ 70 milhões nos últimos cinco anos sem origem financeira compatível.
A investigação também destaca que Brenda havia se formado recentemente em Direito, atuava em poucos processos e divulgava nas redes sociais que estudava para concursos da magistratura. Já a irmã trabalhava como psicóloga infantil.
De acordo com os investigadores, parte dos recursos obtidos com o tráfico era ocultada por meio de empresas de fachada e da aquisição de bens de alto valor. A PF também identificou que alguns veículos e patrimônios já estariam sendo colocados à venda, o que pode indicar uma tentativa de desfazer os bens diante do avanço das investigações.
A Operação Mens Occulta mobilizou 230 policiais federais para cumprir 25 mandados de prisão preventiva e 49 mandados de busca e apreensão em cidades de Minas Gerais, Espírito Santo e Mato Grosso do Sul. As ações ocorreram em municípios como Uberlândia, Uberaba, Araguari, Ituiutaba, Belo Horizonte, Cariacica, Campo Grande e Corumbá.
O nome da operação significa "mente oculta" em latim e faz referência à estratégia atribuída ao suposto líder do esquema, que, segundo a Polícia Federal, evitava se expor diretamente e utilizava familiares para ocultar a origem ilícita dos recursos.
Os investigados poderão responder pelos crimes de tráfico internacional de drogas, organização criminosa e lavagem de dinheiro.



