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GERAL Terça-feira, 03 de Novembro de 2026, 13:35 - A | A

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NA MIRA

Contratos milionários da Log Lab com órgãos públicos levantam questionamentos em MT

Empresa de Antônio Fernando Ribeiro Pereira foi alvo da Operação Iterum, em 2023, e possui histórico de contratos com instituições públicas

Maykom Milas
Tangará Online

 Impressa não consegue dados sobre contratos nem o montante já pago a Empresa Log Lab pelo TCE MT

Impressa não consegue dados sobre contratos nem o montante já pago a Empresa Log Lab pelo TCE MT

O histórico de contratos públicos da empresa Log Lab Inteligência Digital e as investigações envolvendo seu fundador, o empresário Antônio Fernando Ribeiro Pereira, voltam a chamar a atenção em Mato Grosso. A empresa, que atua no setor de tecnologia da informação, já esteve na mira da Polícia Federal em uma investigação sobre possíveis irregularidades em contratos da área da Saúde de Cuiabá.

O assunto ganha novo contexto após a deflagração da Operação Tomada de Contas, em 29 de outubro de 2026, que apura possíveis irregularidades na gestão de contratos administrativos e pagamentos no Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT).

Embora não exista confirmação oficial de que a Log Lab ou seu fundador sejam investigados nessa nova operação, o histórico de relações comerciais da empresa com instituições públicas levanta questionamentos sobre contratações, execução de serviços e destinação de recursos públicos.

Em outubro de 2023, a Polícia Federal deflagrou a Operação Iterum, que investigou suspeitas de irregularidades em contratos de tecnologia da Secretaria Municipal de Saúde de Cuiabá. A Log Lab e Antônio Fernando Ribeiro Pereira estiveram entre os alvos de mandados de busca e apreensão. Na ocasião, os investigadores analisaram contratos firmados entre 2017 e 2022, além da comprovação dos serviços prestados e dos pagamentos realizados à empresa.

Reprodução

fernando

 

Conforme informações divulgadas na época, os pagamentos relacionados aos contratos investigados chegaram a R$ 52,8 milhões, dos quais aproximadamente R$ 13,7 milhões tinham origem em recursos federais. A apuração também envolvia possíveis falhas nos procedimentos de contratação, fiscalização dos serviços e movimentações financeiras consideradas suspeitas.

A investigação apurava possíveis crimes contra a administração pública, fraude em licitação e lavagem de dinheiro. Entretanto, o fato de a empresa e seu fundador terem sido alvos de diligências policiais não significa condenação ou comprovação de responsabilidade criminal.

A atuação da Log Lab no setor público também aparece em registros de contratações com a Empresa Mato-Grossense de Tecnologia da Informação (MTI). Entre os instrumentos publicados está o Contrato de Consumo nº 04/2023/MTI, no valor de R$ 1,752 milhão, destinado à prestação de serviços especializados de desenvolvimento, manutenção e sustentação de sistemas digitais.

Outro contrato, o de nº 07/2023/MTI, foi firmado no valor de R$ 21 milhões, com previsão de atendimento a demandas de órgãos estaduais por meio de uma fábrica de software. Os instrumentos demonstram relações comerciais com a estrutura pública estadual, mas seus valores não podem ser apresentados como pagamentos feitos diretamente pelo TCE-MT à empresa.

A relação comercial com instituições públicas torna importante esclarecer quais serviços foram efetivamente executados, quanto foi pago, quem autorizou as contratações e quais servidores ficaram responsáveis pela fiscalização dos contratos.

O cenário ganhou novos desdobramentos em 29 de outubro de 2026, quando a Polícia Federal deflagrou a Operação Tomada de Contas, voltada à investigação de possíveis irregularidades na administração de contratos e pagamentos a servidores do Tribunal de Contas de Mato Grosso.

Segundo informações divulgadas pela Polícia Federal, a investigação apura possíveis diferenças no tratamento dado a fornecedores, movimentações financeiras atípicas, liberação de recursos públicos e possíveis relações entre pagamentos realizados a empresas e retiradas de dinheiro em espécie.

Apesar da repercussão da operação, não há confirmação oficial de que a Log Lab ou Antônio Fernando Ribeiro Pereira estejam entre os alvos dessa investigação. Também não foi demonstrado que os contratos da empresa com o Tribunal tenham relação com os fatos apurados pela Polícia Federal.

Diante desse cenário, permanece a necessidade de esclarecer se houve contratos firmados diretamente entre a Log Lab e o TCE-MT, quais foram os valores envolvidos, os pagamentos efetivamente realizados, os responsáveis pela autorização e fiscalização e se algum desses instrumentos aparece nos procedimentos analisados pelas autoridades.

A transparência na contratação de empresas privadas com recursos públicos é fundamental para garantir o controle social e a fiscalização dos gastos da administração. Contratos precisam ter serviços comprovados, pagamentos justificados e acompanhamento dos órgãos responsáveis.

A reportagem informa que tentou contato com o empresário Antônio Fernando Ribeiro Pereira, mas não obteve retorno até o fechamento desta matéria. O espaço permanece aberto para manifestação do empresário, da Log Lab, da MTI e do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso.

As investigações mencionadas seguem os procedimentos legais, e eventuais responsabilidades deverão ser estabelecidas pelas autoridades competentes.


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