13 de Outubro de 2026

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ENTREVISTA DA SEMANA Segunda-feira, 12 de Outubro de 2026, 10:54 - A | A

Segunda-feira, 12 de Outubro de 2026, 10h:54 - A | A

“Temos condições de fazer mais e melhor pelo nosso Estado”, afirma Gisela Simona

“Vice-governadora fala sobre os desafios da nova gestão, a redução das filas do SUS, a representatividade feminina e os bastidores do convite para compor a chapa de Otaviano Pivetta”

Lucas Leite
Tangará Online
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Reprodução

Gisela

A vice-governadora de Mato Grosso, Gisela Simona, chega ao novo cargo após uma trajetória marcada pela atuação na defesa do consumidor, pela passagem pela Câmara dos Deputados e pelo contato direto com a população em diferentes regiões do estado. Gisela relembra os bastidores de sua escolha para compor a chapa de Otaviano Pivetta, avalia o resultado das urnas e fala sobre a responsabilidade de voltar a colocar uma mulher na vice-governadoria após duas décadas.

Ao abordar os desafios da nova função, Gisela destaca a importância de ouvir as demandas dos mato-grossenses e aponta a saúde como uma das áreas que precisam avançar, especialmente na redução das filas do SUS e na ampliação do acesso aos atendimentos. A vice-governadora também comenta sua participação na construção do plano de governo, a relação com os servidores públicos e o compromisso de ampliar a representatividade feminina na política estadual.

Na conversa, ela ainda revela como recebeu o convite para disputar a vice-governadoria depois de se preparar para concorrer a uma vaga de deputada federal e explica por que aceitou assumir a função com a expectativa de participar ativamente das decisões e dos desafios da administração estadual.

 

COPopular- Vice-governadora, a senhora esperava conquistar uma vitória tão expressiva já no primeiro turno, com mais de 60% dos votos, ou o resultado superou as suas expectativas?

Gisela Simona- Então, veja, eu fiz uma campanha muito de rua, com bastante contato com as pessoas. E foi possível sentir, nas ruas, o crescimento da campanha.
No início, as pessoas ainda estavam um pouco alheias à questão da eleição. Muitas confundiam se era uma eleição geral ou apenas municipal. Algumas diziam: “Ah, eu não sou daqui de Cuiabá” ou “Eu voto em tal lugar do estado de Mato Grosso”.
A gente explicava, porque muitas pessoas não sabiam que votariam em seis nomes nesta eleição. Foi muito isso. Mas, já no final, percebíamos uma decisão das pessoas. Elas diziam: “Ah, eu já estou com vocês. Eu voto em vocês. Eu voto dez. Eu voto Pivetta. Gisele, eu voto em você”. Então, a gente sentiu esse movimento.
Também tivemos a adesão dos prefeitos à nossa campanha. Cada um mostrava como estava a situação no município, enviava fotos e nos marcava nas redes sociais. Isso, de alguma forma, foi nos dando confiança.
E é aí que falo um pouco sobre as pesquisas. Não as pesquisas internas, porque, internamente, tínhamos a perspectiva de que poderíamos, sim, vencer no primeiro turno. Por outro lado, havia pesquisas divulgadas publicamente, registradas, que apontavam quase um empate técnico e indicavam a possibilidade de segundo turno.
Enfim, estávamos confiantes na vitória, mas sem afirmar se ela aconteceria no primeiro ou no segundo turno.

 

COPopular- Vice-governadora, após 20 anos, Mato Grosso voltará a ter uma mulher no cargo de vice-governadora. Qual é a importância desse marco para a representatividade feminina na política do estado?

Gisela Simona- Com muita honra. Isso aumenta muito a minha responsabilidade, e fico muito feliz em ajudar a encerrar essa longa espera das mulheres mato-grossenses por representatividade feminina no Palácio Paiaguás.
Vejo que venho para cumprir essa missão de representar bem também as mulheres mato-grossenses.

 

COPopular- Vice-governadora, a senhora construiu sua trajetória política passando pela superintendência do Procon e pelo mandato de deputada federal. Agora, como vice-governadora na gestão de Otaviano Pivetta, qual será o seu papel no governo e como pretende contribuir para a administração do estado? Quais serão as principais prioridades da gestão nos próximos quatro anos e o que a população mato-grossense pode esperar do seu mandato?

Gisela Simona- Então, vejam que uma característica marcante nas funções públicas que já exerci, seja no Procon de Mato Grosso, como conciliadora de defesa do consumidor, cargo para o qual sou concursada, seja como dirigente do órgão, é a escuta da população.
Sempre atendi muitas pessoas. Quando fui para a Câmara dos Deputados, assumi o papel de representante do povo. Inclusive, durante o mandato, realizei o projeto “Gisela na Estrada”, por meio do qual visitei pessoas em diferentes regiões de Mato Grosso.
Acredito que toda essa experiência, agora na função de vice-governadora, vai contribuir para que eu continue ouvindo a população e compreendendo as dificuldades de cada pessoa. Minha própria trajetória de vida me permite entender a dor de muita gente, e quero usar essa experiência para cuidar das pessoas.
Nos últimos anos, Mato Grosso se destacou pelos investimentos em infraestrutura, que foram extremamente necessários. Quando falamos da construção de seis novos hospitais, por exemplo, precisamos considerar a realidade de quem ainda espera muito tempo na fila do SUS por uma vaga em UTI ou pela realização de uma cirurgia. Muitas vezes, não é possível reduzir essas filas sem ampliar o número de leitos de UTI e a capacidade de atendimento.
Acredito que, com os investimentos realizados, agora temos condições de avançar para que a população mato-grossense se sinta acolhida, tenha seu lugar na fila respeitado e consiga atendimento com mais agilidade. Precisamos facilitar o acesso à saúde.
Algo que Pivetta destacou muito durante a campanha, e que eu também repeti, é que, se Mato Grosso fez muito nos últimos sete anos e meio, temos condições de fazer mais e melhor pelo nosso estado.
Agora, com a casa arrumada, temos condições de garantir que cada mato-grossense se sinta acolhido pelo governo.

 

COPopular- Vice-governadora, inicialmente, Fábio Garcia era o nome escolhido pelo grupo político para ocupar a vaga de vice na chapa de Otaviano Pivetta. Após os acontecimentos que mudaram esse cenário, a senhora acabou sendo anunciada para a função em questão de horas. Como estava sua preparação política naquele momento? A senhora trabalhava com a possibilidade de disputar uma vaga como deputada federal? Como foram as conversas que levaram à mudança de planos e ao convite para assumir a vice-governadoria?

 

Gisela Simona- Eu estava totalmente preparada para disputar uma vaga de deputada federal. Os 33 meses em que estive na Câmara dos Deputados também serviram para organizar a pré-campanha, aproximar-me de lideranças municipais e estruturar o trabalho eleitoral.
Minha aproximação com Otaviano Pivetta começou quando eu ainda era deputada federal e precisava tratar de demandas junto ao governo do Estado. Durante a preparação dele para disputar o governo, fui convidada a apresentar problemas de Cuiabá e Várzea Grande que, na minha avaliação, precisavam de mais atenção do poder público.
Em Cuiabá, visitamos bairros como Jardim Mossoró e Vila Canaã, onde há problemas de infraestrutura, falta de saneamento básico e famílias vivendo em áreas de risco. Em Várzea Grande, mostramos a necessidade de melhorias na segurança dos pedestres, incluindo a construção de uma passarela na Avenida FEB, onde já ocorreram mortes durante travessias.
Na época, meu nome chegou a ser cogitado para a vice-governadoria, já que Pivetta manifestava o desejo de ter uma mulher na composição da chapa. Mesmo assim, mantive o foco na candidatura a deputada federal. Quando Fábio Garcia foi anunciado como vice, continuei me preparando para a disputa, pois essa era a escolha do grupo político.
A mudança ocorreu no dia em que Fábio renunciou à candidatura. Recebi uma ligação de Pivetta, que me convidou para conversar no Palácio. Naquele momento, a imprensa especulava diversos nomes para a vaga, e eu ainda não sabia qual seria a proposta.
Durante a conversa, expliquei que aceitaria ser candidata a vice-governadora desde que tivesse uma participação efetiva na administração, e não apenas a função de substituir o governador em suas ausências. Pivetta afirmou que precisava de alguém para ajudá-lo a governar e enfrentar os desafios de Mato Grosso.
Também destaquei minha experiência como servidora pública e a importância de melhorar o diálogo entre o governo e os servidores estaduais. Ele demonstrou interesse nessa aproximação, e foi assim que aceitei o convite.
Minha participação na construção do plano de governo já havia começado antes disso. Pivetta me consultou sobre propostas voltadas às mulheres e medidas para enfrentar o endividamento da população, incluindo os servidores públicos. O convite para compor a chapa representou, portanto, a continuidade de um diálogo que já vinha sendo construído.


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