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VARIEDADES Sexta-feira, 24 de Julho de 2026, 09:20 - A | A

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QUEBRANDO OS TABUS

Anitta mergulha na MPB e na espiritualidade em “Equilibrivm II”, álbum com Bethânia, Alceu e Djavan

Novo trabalho reúne 17 faixas, amplia o diálogo da cantora com ritmos brasileiros

Ana Carolina Guerra
Tangará Online
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Divulgação/André Nicolau

anitta

Anitta apresentou ao público "Equilibrivm II", segundo álbum lançado neste ano e sequência do projeto iniciado com Equilibrivm. O novo trabalho marca uma mudança de direção artística ao reunir influências da música popular brasileira, ritmos tradicionais e elementos da espiritualidade em um repertório que passeia por samba, funk, reggae, baião, afoxé, xaxado, bossa nova e rap indígena.

Com 17 faixas, o disco reúne participações de nomes consagrados da música brasileira, como Maria Bethânia, Alceu Valença, Mart'nália, Mestrinho, Alexandre Carlo, MC Tha, Brô MC's, Katú Mirim, King Saints, Grupo Ofá, Los Brasileros e Letícia Fialho.

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A abertura acontece com "Você Já Sabe", parceria com Los Brasileros que combina batidas de funk, percussões inspiradas no maculelê e referências às religiões de matriz africana. Em seguida, "Sal Grosso", com Kbrum, mantém a atmosfera urbana ao incorporar influências do dancehall e versos que fazem referência à cultura de Madureira, no Rio de Janeiro.

Em "Não Me Cutuca", Anitta divide os vocais com Alceu Valença em uma mistura de house music e xaxado. Já "Eu Não Sou Santa", gravada com Mestrinho, aposta na sonoridade nordestina conduzida pela sanfona e em uma interpretação delicada.

A religiosidade permanece presente em "Feitiço", parceria com Mart'nália que utiliza elementos ligados aos terreiros e incorpora um sample do cantor J.B. de Carvalho. Em "Ponta do Pé", a artista investe em um samba-pop de clima leve e refrão contagiante.

O álbum continua explorando diferentes estilos em "Abre Caminho", ao lado de Alexandre Carlo, que mistura baião e reggae, enquanto "Tudo Isso" traz influência do lovers rock e composição assinada em parceria com Alice Caymmi.

Na reta final, o disco assume um tom ainda mais espiritual. "Sem Pressa", com MC Tha, e "Deus Mãe", com King Saints, valorizam temas ligados ao acolhimento, ancestralidade e força feminina. Um dos momentos de maior destaque é "Ogum Me Rodeia", que reúne Maria Bethânia e Letícia Fialho em uma faixa inspirada nas tradições afro-brasileiras.

O repertório também reserva espaço para experimentações. "Contemplação" funciona como uma pausa contemplativa antes da cantora revisitar a bossa nova em "Pra Você Gostar de Mim". Em seguida, "Divino Sexual" aborda sensualidade sob uma perspectiva afetiva, enquanto "Azul" apresenta uma versão em espanhol do clássico de Djavan.

O encerramento fica por conta de "Respira", com influências latinas e samba, e "Oke", faixa gravada com Brô MC's e Katú Mirim que incorpora o rap indígena e reforça a proposta de aproximar a música pop das raízes culturais brasileiras.

Ao longo de Equilibrivm II, Anitta amplia sua pesquisa sobre ritmos nacionais e constrói um trabalho marcado pela diversidade sonora, pela valorização da cultura brasileira e por letras que dialogam com identidade, espiritualidade e pertencimento, consolidando uma das fases mais experimentais de sua carreira.


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