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SAÚDE Terça-feira, 12 de Maio de 2026, 13:33 - A | A

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EVOLUÇÃO NA SAÚDE

Estudo aponta molécula anti-inflamatória como possível alternativa no tratamento do Parkinson

Pesquisa brasileira identificou proteção de neurônios e melhora motora em testes

Tangará Online
Redação
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Pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo identificaram uma nova estratégia experimental que pode abrir caminhos para tratamentos alternativos contra a doença de Parkinson. Em testes realizados com camundongos, uma molécula com ação anti-inflamatória demonstrou capacidade de proteger neurônios e reduzir danos provocados pela doença.

O estudo foi publicado na revista científica Neuropharmacology e propõe uma abordagem diferente das terapias tradicionais, que atualmente se concentram na reposição de dopamina no cérebro.

Os cientistas investigaram os efeitos de um peptídeo chamado Ac2-26, derivado da proteína Anexina A1, naturalmente presente no organismo humano. Segundo os pesquisadores, a substância atua diretamente no controle da neuroinflamação, considerada um dos fatores importantes para a progressão do Parkinson.

“Ainda é um estudo experimental, muito inicial, mas que traz uma proposta interessante por apresentar uma estratégia diferente do tratamento convencional”, afirmou a pesquisadora Cristiane Damas Gil, da Escola Paulista de Medicina.

Hoje, o principal tratamento utilizado contra o Parkinson é a levodopa, medicamento que ajuda a repor a dopamina perdida pela degeneração dos neurônios. Apesar da eficácia inicial, o uso prolongado pode provocar redução dos efeitos e complicações motoras.

“Por isso, é fundamental a busca por alternativas de tratamento para uma doença tão complexa”, destacou o pesquisador Luiz Philipe de Souza Ferreira, integrante da equipe.

No experimento, os cientistas induziram nos animais um quadro semelhante ao Parkinson por meio da aplicação de uma substância neurotóxica no cérebro. Depois disso, os camundongos receberam o peptídeo Ac2-26.

Os resultados indicaram redução da inflamação cerebral e maior proteção das células nervosas responsáveis pela produção de dopamina. Além disso, os animais tratados apresentaram melhora em testes de coordenação e movimentação.

A pesquisa também observou diferenças entre machos e fêmeas. As fêmeas demonstraram maior resistência inicial aos danos neurológicos, enquanto os machos apresentaram perda neuronal mais evidente.

Outro ponto identificado pelos pesquisadores foi a possibilidade de a doença interferir no sistema hormonal, já que alterações reprodutivas foram observadas nas fêmeas após a indução do quadro semelhante ao Parkinson.

Apesar dos resultados considerados promissores, os cientistas ressaltam que a pesquisa ainda está em fase inicial. Até o momento, o efeito observado é preventivo, já que a substância foi aplicada no início do processo degenerativo.

A próxima etapa será investigar se o peptídeo também pode atuar na reversão de danos já instalados pela doença.

“Se isso for comprovado, ele se torna um possível novo tratamento”, afirmou Cristiane.

Os pesquisadores destacam, porém, que ainda serão necessários novos estudos antes que a estratégia possa ser testada em seres humanos.

 


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