O Supremo Tribunal Federal (STF) marcou para o próximo dia 19 de junho o início do julgamento que poderá definir a validade da anistia concedida a partidos políticos que descumpriram regras de incentivo à participação de mulheres e pessoas negras nas eleições realizadas antes de 2022.
A análise será feita no plenário virtual da Corte, modalidade em que os ministros registram seus votos eletronicamente, sem debates presenciais. A votação permanecerá aberta até o dia 26 de junho.
A ação foi apresentada pela Rede Sustentabilidade em conjunto com a Federação Nacional das Associações Quilombolas e questiona trechos da emenda constitucional que perdoou sanções impostas às legendas por falhas no cumprimento das cotas de financiamento e incentivo à participação política desses grupos.
Os autores da ação argumentam que a medida representa um retrocesso nas políticas afirmativas adotadas para ampliar a representatividade de mulheres e negros nos espaços de poder. Segundo eles, a anistia enfraquece mecanismos criados para corrigir desigualdades históricas no sistema político brasileiro.
Dados citados no processo apontam que, apesar de as mulheres representarem a maioria da população brasileira, sua participação nos cargos eletivos permanece abaixo da proporcionalidade populacional. O mesmo cenário é observado em relação à população preta e parda, que segue com representação reduzida nos parlamentos do país.
O julgamento chegou a ser iniciado no Supremo, mas acabou interrompido após a apresentação de divergência por parte de um dos ministros da Corte. O posicionamento foi acompanhado por outros integrantes do tribunal, levando à suspensão temporária da análise.
Agora, com a retomada do processo na pauta do STF, os ministros deverão decidir se a emenda constitucional que beneficiou os partidos permanece válida ou se as penalidades anteriormente aplicadas poderão ser restabelecidas.
A decisão é aguardada por entidades da sociedade civil, partidos políticos e especialistas em direito eleitoral, já que poderá influenciar futuras discussões sobre financiamento de campanhas e políticas de promoção da diversidade na representação política brasileira.



