14 de Julho de 2024

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POLÍCIA Terça-feira, 05 de Dezembro de 2023, 10:10 - A | A

Terça-feira, 05 de Dezembro de 2023, 10h:10 - A | A

PATRULHA MARIA DA PENHA

"Me acolheram em momento de dor e me fizeram sentir segura", afirma mulher atendida por programa da PMMT

Redação

“Me acolheram em um momento de dor e me senti segura novamente”, afirmou uma das 12,1 mil mulheres assistidas pelo programa Patrulha Maria da Penha, da Polícia Militar de Mato Grosso. O trabalho teve início em 2019, com o objetivo de encerrar ciclos de violência doméstica, resgatar a sensação de segurança e dignidade das vítimas.

Luciene Aparecida* relata que sofreu violência doméstica por 25 anos e que as agressões aumentaram ela pedir o divórcio, chegando a ser expulsa de casa, junto com a filha, durante o tratamento contra um câncer.

“Você sente que perdeu a dignidade, a sensibilidade e se pergunta o motivo de estar vivendo daquela forma. Eu estava careca, fragilizada e me sentindo no fundo do poço. Não recebi apoio de amigos e fui julgada até mesmo pela minha própria família”, relembrou.

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 Luciene procurou uma Delegacia da Mulher e registrou boletim de ocorrência contra o agressor, na tentativa de por fim a todas às agressões que passou do ex-marido e se reestabelecer física e psicologicamente.

Posteriormente, ela recebeu uma visita dos policiais militares que atuam no Patrulhamento Maria da Penha em Cuiabá na residência dela, momento em que ela pode se sentir segura novamente em casa.

“Eles agiram com uma generosidade que não tem explicação. Foram atenciosos, me acolheram naquele momento de dor. Quando eu sofria as agressões, me sentia culpada, mas eles me acolheram, orientaram e fizeram eu entender aquela situação. Meu desejo hoje é ajudar outras mulheres a superarem isso e a denunciarem o agressor”, relatou.

A tenente Denyse Pereira Valadão, que participa da Patrulha Maria da Penha, conta que um dos principais sinais do ciclo de violência é a vítima se sentir culpada pelas agressões, se isolar da família e amigos por medo do agressor.

“Me sinto honrada por ser uma mulher que ajuda outras mulheres por meio da Patrulha Maria da Penha desde toda a criação e formulação do trabalho, da instrução normativa e da capacitação e acredito que possamos fazer ainda mais para que as mulheres saiam do ciclo de violência. A Patrulha vem proporcionando o resgate do direito à vida, dignidade e segurança das mulheres vítimas e suas famílias”, afirma a tenente.

Feminicídio Zero

A Patrulha Maria da Penha da Polícia Militar de Mato Grosso não registrou nenhum caso de feminicídio de mulheres assistidas pelo programa no estado.

O comandante-geral da Polícia Militar, coronel Alexandre Corrêa Mendes, destacou que o programa tem reduzido índices de reincidência de violência entre as mulheres atendidas pelo programa.

“A Patrulha Maria da Penha é um instrumento para que possamos levar uma proteção maior a essas mulheres vítimas de violência. Para a instituição, isso é motivo de orgulho e de dever cumprido. Hoje, atendemos mais de 12 mil mulheres pela Patrulha, em grande parte do Estado, e, independentemente, do programa, a Polícia Militar está presente em todos os 142 municípios e sempre direcionada a atender esse tipo de ocorrência”.

Atualmente, cerca de 100 militares compõem o efetivo do programa, que está inserido em todos os 15 Comandos Regionais da Polícia Militar, presentes em 96 municípios. O números de atendimento se volta para o crescimento do programa ao longo dos anos que promove atividades de prevenção primária com realização de palestras, orientações, blitz educativas e outras formas de trabalho de acolhimento com as vítimas.

Desde a implementação, o Governo de Mato Grosso já investiu mais de R$ 2,3 milhões no programa, voltados para a aquisição de viaturas e equipamentos tecnológicos e de trabalho próprios, além da reforma de locais e  espaços para atendimento das vítimas.

Denuncie e procure ajuda

A coordenadora de Polícia Comunitária e Direitos Humanos, responsável pelo projeto Patrulha Maria da Penha da PMMT, tenente-coronel Emirella Martins, ressaltou que o crime de violência contra a mulher acontece em todas as classes sociais e apontou a importância do apoio de outras instituições no atendimento às vítimas.

“A integração das forças de segurança é de extrema importância, haja vista que alertamos sobre a importância da denúncia para que o Estado possa alcançar e amparar ainda mais vítima e, por fim, acabar com esse tipo de reincidência. Nossos policiais são treinados e preparados para lidar com essa temática que é tão problemática, complexa e delicada”, apontou.

Emirella pondera que o crime de violência contra a mulher costuma ser silencioso e as vítimas muitas vezes possuem medo ou vergonha por julgamento da própria família. “Essa é uma realidade que já mudou, mas precisamos falar cada vez mais sobre esse tipo de violência e, mais importante ainda, orientar a vítima a procurar ajuda”.

 

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