O presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), deputado estadual Max Russi, avaliou uma série de intensa movimentação política no Estado. Na pauta, temas que vão desde a atuação da Casa nas investigações da CPI da Saúde até o acompanhamento de obras estruturantes, como o BRT em Cuiabá e Várzea Grande, além de avaliações sobre o cenário político e possíveis articulações para as eleições futuras.
Durante a conversa, Max Russi destacou o papel institucional da Assembleia na fiscalização e no acompanhamento de investigações, reforçou a necessidade de apuração rigorosa sobre denúncias envolvendo a área da saúde e defendeu que a CPI cumpra sua função com independência e transparência. O parlamentar também comentou o andamento de obras importantes no Estado, a relação com o Executivo e o cenário de formação de novas lideranças políticas em Mato Grosso.
Ao longo da entrevista, o presidente da ALMT ainda abordou temas sensíveis da política estadual, como possíveis candidaturas ao governo e a construção de projetos coletivos dentro de seu grupo político, destacando o momento de organização e fortalecimento de chapas para as próximas eleições.
COPopular- O deputado Wilson Santos afirmou que já possui os elementos necessários para a criação de uma CPI da Saúde. Diante das denúncias e suspeitas levantadas, a investigação deve ser instaurada?
Max Russi- É importante. Eu acredito que toda investigação é necessária. Isso faz parte das prerrogativas e do papel da Assembleia Legislativa. A comissão tem a obrigação de realizar seu trabalho da melhor forma possível.
O processo está sendo acompanhado pela imprensa e pela população em geral. Ao final do prazo da CPI, é fundamental apresentar um relatório que esclareça os fatos e tire as dúvidas da população.
COPopular- O deputado Wilson Santos afirmou que a CPI da Saúde, inicialmente voltada a contratos da pandemia e contratações sem licitação, agora também deve investigar repasses antecipados ao Hospital Albert Einstein. Qual sua avaliação sobre essa nova linha de apuração?
Max Rusi- Essa questão chegou ao plenário. Se não me engano, foi o enfermeiro Jamir quem trouxe esse ponto. E eu acredito que toda dúvida levantada pela população, todo esclarecimento que a sociedade pede, a Assembleia está aqui justamente para isso.
Se houve pagamento sem a devida prestação de serviço, isso é grave. Agora, não podemos afirmar isso sem investigação. É preciso apurar os fatos, e a CPI tem instrumentos legítimos para isso, como requerimentos, convocações e demais mecanismos de investigação.
O objetivo é esclarecer não apenas a imprensa, que faz essa pergunta, mas principalmente toda a população. Quero acreditar que não houve nenhum pagamento sem serviço executado. Se isso for comprovado, aí sim teremos um problema sério.
COPopular- Em relação às denúncias de pagamentos indenizatórios sem licitação e possíveis irregularidades na prestação de serviços, quais informações o senhor já tem conhecimento?
Max Russi- Nada. Sei apenas o que acompanhei pela imprensa e pelas informações que vieram a público. Agora, quem tem o papel de fazer esse levantamento e apresentar essas informações é, de fato, a CPI. Os cinco membros da comissão são preparados e têm condições de realizar esse trabalho. A imprensa e a população em geral também estão acompanhando tudo de perto. Portanto, precisamos aguardar.
Eu, como presidente, não posso interferir nos trabalhos da comissão ou da CPI em nenhuma hipótese. Meu papel é garantir condições e toda a estrutura necessária para que seja feito um trabalho sério, comprometido e que dê respostas à população.
COPopular- Com a promessa de entrega parcial do BRT até junho de 2026, de que forma a Assembleia Legislativa de Mato Grosso acompanha o cronograma da obra?
Max Russi- Aleluia! Feliz! Muito feliz! O trânsito é complicado, não é? Essa obra era para ter sido concluída em 2014, uma obra vergonhosa para Mato Grosso e para a nossa capital, bem no coração da cidade. A entrega de apenas um trecho não é o que gostaríamos, mas já parabenizo o governador.
Acredito que ele não faria essa afirmação se não tivesse certeza, até porque o prazo é já no próximo mês, cerca de 45 dias para a conclusão. Se ele anunciou, certamente já conversou com a empresa responsável e com os secretários, além de estar cobrando os prazos.
Isso é importante, porque quando se estabelece uma data de entrega, as obras tendem a avançar mais rápido. A população quer a conclusão desse projeto. Então, se ele afirmou, acredito que de fato deva ser concluído.
COPopular- O senhor não considera um risco anunciar uma data de entrega diante de tantos entraves, problemas e processos envolvendo o contrato e sua execução?
Max Russi- Fico feliz com o lançamento da data, confesso que fico satisfeito. Porque agora temos uma data definida, que pode ser apresentada à imprensa, e a população passa a ter uma expectativa concreta. Agora é preciso cumprir esse prazo.
Acredito que o governador Piveta não lançaria uma data se não tivesse segurança dessa entrega. Ele já demonstrou isso em outras situações, como no compromisso feito em fevereiro para a entrega do Ganha Tempo, que inclusive foi cumprido até antes do prazo previsto. Houve agilidade, cobrança da equipe e a entrega foi realizada.
Se ele agir da mesma forma em relação a essa obra, terá todo o nosso respeito e apoio. Quando se estabelece uma data, isso também gera responsabilidade para o governo cumprir.
Para nós, enquanto parlamentares, e também para a imprensa, isso é positivo, porque passa a existir um prazo claro para cobrar a entrega de forma efetiva.
COPopular- Qual é o teor da conversa da presidente Renata com o senhor e como está a articulação em torno de uma possível candidatura ao governo?
Max Russi- Ela me sondou. Disse que havia feito uma pesquisa e que meu nome aparecia bem posicionado, e perguntou se eu tinha interesse em construir esse projeto.
Eu respondi que sou um político de grupo, não faço projeto individual. Uma candidatura majoritária não pode ser um projeto pessoal, do deputado Marco.
Acredito que esse tipo de candidatura precisa ser construída coletivamente, a partir da base, da população, do grupo político e das ideias que se defende para o Estado.
Por isso, neste momento, não estou focado nesse projeto. Estou à disposição do meu grupo político, trabalhando a construção dentro do meu partido, que é o que estamos fazendo agora.
Foi uma pesquisa de perfil e de avaliação do desejo da população. Isso ocorreu no início, quando ela esteve aqui em um evento. Na ocasião, deixei claro que qualquer construção desse tipo não pode ser de cima para baixo, e sim construída de forma inversa, da base para o topo.
Neste momento, nosso foco é fortalecer a construção de uma chapa para deputados estaduais, buscando eleger seis deputados estaduais e também deputados federais. Com isso, o poder político no âmbito municipal sairá fortalecido nessa eleição.
COPopular- Diante de levantamentos que apontam sua crescente projeção política e de uma percepção do eleitorado sobre a necessidade de renovação em cargos executivos, como o senhor avalia o impacto disso em sua trajetória?
Max Russi- Fico feliz em ver esse tipo de colocação vindo da imprensa. Isso é resultado de trabalho, de um processo construído diariamente. É como construir uma casa: tijolo por tijolo, fortalecendo uma base sólida.
Neste momento, precisamos focar no meu mandato como presidente da Assembleia, nessa construção partidária e em outros projetos, já que outros nomes também estão colocados nesse cenário.
Que cada um possa construir e fortalecer seus espaços, e que a presidente apresente um bom plano de governo. Agora é momento de construção, de apresentar boas propostas, porque é isso que a população de Mato Grosso vai avaliar no final.
A escolha será de quem estiver mais preparado para representar, nos próximos quatro anos, o melhor para o Estado de Mato Grosso, que continua crescendo e avançando. Nosso desafio é chegar na ponta e entregar mais qualidade de vida para a população.



