Em entrevista ao Centro Oeste Popular, o governador de Mato Grosso, Mauro Mendes, falou sobre temas centrais que movimentam a política e a economia do Estado. Ele abordou a possibilidade de candidatura do deputado Max ao governo, discutiu o protagonismo das mulheres na política e explicou como o equilíbrio fiscal é essencial diante de propostas que combinam aumento de gastos com redução de receita.
Mendes também detalhou a agenda de entregas e obras do governo, ressaltando a importância de cumprir convênios, inaugurar trechos de rodovias e investir em infraestrutura, sem deixar de lado a rotina administrativa do Estado. Sobre transparência e gestão pública, comentou que a criação de regras claras é a forma mais eficaz de evitar lobby e garantir o funcionamento correto das instituições. Além disso, o governador analisou o impacto dos apoios de lideranças nacionais, como Lula e Bolsonaro, nas eleições estaduais, afirmando que, embora relevantes, não substituem a necessidade de competência e gestão para governar Mato Grosso.
Durante a conversa, Mendes reforçou alertas sobre o risco de colapso fiscal caso medidas de aumento de gastos sejam aplicadas sem receita suficiente para sustentar o orçamento.
Centro Oeste Popular – O senhor esteve presente ao lado do deputado Max no lançamento do Podemos. Na ocasião, mencionou a possibilidade de ele vir a ser candidato ao governo do Estado de Mato Grosso. O grupo político já se reuniu para discutir ou avaliar de forma mais concreta essa possibilidade?
Mauro Mendes – Qualquer cidadão que esteja no pleno exercício de seus direitos políticos pode disputar uma eleição. O deputado Max é uma liderança importante do partido e atualmente preside a Assembleia Legislativa. Assim como ele, há outras lideranças que também podem vir a ser candidatas. No entanto, isso depende principalmente da decisão pessoal de cada um e da construção de um projeto político. Até o momento, não há nada definido nesse sentido, apenas especulações.
Centro Oeste Popular – Na Câmara, a vereadora Michele criticou o espaço dado às mulheres na política. Ela afirmou que não se trata apenas de cumprir cotas partidárias, mas de garantir, na prática, mais oportunidades e protagonismo para as mulheres dentro dos partidos. Na avaliação dela, esse espaço ainda não estaria sendo plenamente garantido no União Brasil. Como o senhor responde a essa crítica e de que forma o partido pretende ampliar a participação feminina, não apenas para ela, mas também para deputadas, vereadoras e outras lideranças?
Mauro Mendes – Existe uma legislação eleitoral que precisa ser respeitada. Não é o Mauro Mendes, nem qualquer presidente de partido no Brasil, que pode alterar essa regra individualmente. A lei é muito clara ao estabelecer que, nas eleições proporcionais, como para vereador, deputado estadual e deputado federal, ninguém se elege sozinho. Quem conquista um mandato o faz dentro de um partido e com o apoio dos votos obtidos por toda a chapa. Portanto, existe um vínculo com essa legenda, já que aquela eleição foi resultado do esforço coletivo de todos os integrantes do partido. Por isso, não é correto simplesmente sair da sigla após a eleição. Ainda assim, o espaço dentro do partido continua aberto. Algumas pessoas têm manifestado, por conveniência pessoal, o desejo de buscar outra agremiação, mas o partido, em todo o Brasil, decidiu que não fará liberações. De qualquer forma, o partido permanece aberto à participação de todos, homens, mulheres e qualquer cidadão que queira contribuir politicamente.
Centro Oeste Popular – Governador, algumas lideranças políticas têm defendido a redução de tributos e também a ampliação de despesas do Estado, como reajustes e novos benefícios. Na sua avaliação, essas propostas são viáveis para as contas públicas ou podem comprometer o equilíbrio fiscal de Mato Grosso?
Mauro Mendes – Ele precisa reduzir despesas. O que me chama a atenção é que alguns políticos defendem, ao mesmo tempo, a redução de receitas e o aumento de gastos. Isso quebra qualquer Estado. Um político que faz esse tipo de proposta acaba levando o Estado à falência. Nós já vimos isso acontecer no passado. O governo de Pedro Taques enfrentou uma grave crise fiscal, e vejo algumas propostas do Wellington caminhando na mesma direção. Se seguir por esse caminho, o resultado pode ser o mesmo. Há, por exemplo, propostas de acabar com o FETAB, o que retiraria cerca de 3 bilhões de reais em arrecadação do Estado. Ao mesmo tempo, defendem medidas como o pagamento da RGA, que adicionariam aproximadamente 4 bilhões de reais em despesas. Com menos receita e mais gastos, a conta não fecha. Em pouco tempo, Mato Grosso voltaria a enfrentar uma situação de colapso fiscal.
Centro Oeste Popular – Recentemente, o senhor afirmou que um eventual apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro ou Lula não teria influência decisiva no cenário eleitoral do Estado. Integrantes do PL disseram ter se sentido incomodados com essa declaração, considerando o peso político do partido no país. Como o senhor responde a essa reação e o que quis dizer exatamente com essa avaliação?
Mauro Mendes – Em nenhum momento afirmei que esses apoios não têm importância. O apoio do presidente Lula é relevante, porque ele é uma grande liderança da esquerda no país. Da mesma forma, o apoio do Jair Bolsonaro também tem peso, já que ele é uma das principais lideranças da direita. O que eu disse é que, independentemente desses apoios, quem vai sentar na cadeira e governar o Estado é quem vencer a eleição. Não será nem Lula nem Bolsonaro que irão administrar Mato Grosso. Quem assumir o governo precisa ter competência, histórico de trabalho, capacidade de gestão e honestidade, porque é essa pessoa que terá a responsabilidade de governar. Portanto, o apoio político é importante, mas governar exige muito mais do que isso.
Centro Oeste Popular – Governador, muito se tem falado no país sobre o caso envolvendo o Daniel Vorcaro e as suspeitas de atuação de lobby junto a diferentes esferas de poder. O senhor que esteve à frente do governo do Estado por oito anos, na sua avaliação, como é possível blindar a gestão pública desse tipo de influência, seja no âmbito estadual, municipal ou federal? E, diante da dimensão desse escândalo, que atinge diferentes poderes, o senhor acredita que o Brasil pode passar por mudanças institucionais ou adotar novos mecanismos de controle nos próximos anos?
Mauro Mendes – Só existe uma forma eficaz, que é criar uma lei rigorosa. É por meio de regras claras que se consegue organizar um Estado, um país ou uma nação, garantindo que a sociedade possa conviver de maneira ordenada. E essas regras são definidas por meio das leis, que são estabelecidas pelo Congresso Nacional.
Centro Oeste Popular – Governador, nos últimos dias o senhor tem intensificado sua agenda de entregas e agendas públicas. Há previsão de novas inaugurações, como trechos da BR-163 e também obras na região da Imigrante. Essa aceleração faz parte de uma reta final de gestão ou de um cronograma específico de entregas do governo?
Mauro Mendes – Senhores, o governo de Mato Grosso realizou dezenas de entregas, e é impossível visitar nem 20% das grandes obras que concluímos. Se eu tivesse parado meu governo apenas para visitar cada obra, teria deixado de lado outras atividades essenciais. Tenho ido a algumas visitas, e para mim é uma grande alegria e um dever percorrer o interior, conversar com as prefeituras e acompanhar de perto as demandas locais. Mas isso não se resume a inaugurações. O foco principal é assinar novos convênios e liberar recursos que foram acordados no final do ano passado. Estive cumprindo essa agenda durante os sete anos de governo, exercendo meu dever e mantendo a rotina de trabalho que considero essencial. Esse é o ponto mais importante: não se trata de campanha, mas de cumprir com as responsabilidades do cargo.



