Depois de mais de duas décadas atuando nos bastidores da política, o vereador Ilde Taques decidiu, em 2024, colocar o próprio nome nas urnas. A experiência acumulada como assessor, articulador político e coordenador de campanhas ajudou a construir uma trajetória próxima de importantes lideranças de Mato Grosso, entre elas Guilherme Maluf e Max Russi.
Eleito vereador de Cuiabá com 4.731 votos, Taques agora vive um novo momento da carreira política: a disputa pela presidência da Câmara Municipal no segundo biênio da atual legislatura. O movimento também ocorre em meio a articulações entre os vereadores e a discussões sobre o papel de lideranças externas na escolha da Mesa Diretora.
Em entrevista, Ilde Taques fala sobre a decisão de deixar os bastidores e disputar uma eleição, as diferenças entre ser assessor e ocupar um mandato, a relação política com Max Russi e os motivos que o levaram a lançar seu nome para comandar o Legislativo cuiabano. O vereador também relembra o apoio à eleição de Paula Calil para a presidência da Casa e o compromisso firmado naquele período para uma futura disputa pela Mesa Diretora.
COPopular- Vereador, o senhor está na política desde os 16 anos e construiu uma trajetória marcada pela atuação nos bastidores, tendo trabalhado com Guilherme Maluf, participado da criação da Assembleia Itinerante e, posteriormente, se aproximado do presidente Max Russi. Depois de tantos anos nessa função, em 2024 o senhor decidiu colocar o próprio nome nas urnas. O que motivou essa mudança? Por que o senhor demorou tanto para disputar uma eleição? Foi uma questão de oportunidade, de vontade ou de estratégia política? E como foi o processo de deixar os bastidores para assumir diretamente o papel de candidato e, agora, de vereador?
Ilde Taques- Realmente, sempre trabalhei como assessor, coordenando algumas eleições e desenvolvendo e criando projetos sociais. Muitos deles, como você mencionou, foram realizados na gestão do ex-deputado estadual Guilherme Maluf. A Assembleia Itinerante foi um deles. Depois, fui para a equipe do deputado Max Russi.
Fizemos muitos projetos juntos, como o “Pelas Mãos Delas”, voltado para as mulheres, o projeto “Volte a Sorrir”, entre outros. Mas sempre atuei ali, no gabinete, assessorando e atendendo as pessoas de todo o Estado de Mato Grosso, principalmente da Baixada Cuiabana.
Mas, na política, existe um ditado: quando o cavalo passa, tem que montar, não é verdade? O deputado Max Russi, na eleição passada, em 2022, foi muito bem votado em Cuiabá. Teve cerca de 10 mil votos, uma votação expressiva, ainda mais por não ser de Cuiabá, mas do Vale de São Lourenço, de Jaciara. Então, percebi que aquele poderia ser o meu momento em 2024.
Era um sonho antigo. Eu já tinha disputado uma eleição em 2012 e tive uma votação boa: foram 1.270 votos, quando eu tinha apenas 25 anos. Aquela experiência me mostrou que, na política, é preciso ter grupo e trabalho prestado para conseguir alcançar um mandato eletivo.
Então, percebi que estava mais preparado e, em 2024, disputei a eleição para vereador. Confesso que nem eu sabia que teria uma votação tão expressiva. Fiquei com 4.731 votos, fui o sexto mais votado e o primeiro do meu partido, além de ter sido um dos puxadores de votos. Conseguimos eleger quatro vereadores.
E, no fim, acabou entrando também a minha colega Katiuscia, graças a Deus.
COPopular- Vereador, depois que assumiu o mandato, o que o senhor passou a enxergar na política e no trabalho parlamentar que antes, quando atuava nos bastidores como assessor, não conseguia perceber?
Ilde Taques- Olha, como assessor, você recebe as pessoas, recebe as indicações. Mas, no final das contas, a grande responsabilidade é de quem está no mandato, não é?
Agora, no mandato, essa responsabilidade, com certeza, aumenta. Aumenta a necessidade de fazer as entregas e também a cobrança do eleitor, de quem confiou o voto em você.
A grande responsabilidade é de quem está no mandato. O assessor está ali para atender, organizar e ajudar. Mas, realmente, quem ocupa o mandato — seja deputado, vereador ou qualquer outro cargo eletivo — tem uma responsabilidade muito grande.
COPopular- Vereador, o senhor tem colocado seu nome na disputa pela presidência da Câmara de Cuiabá, mas, desde o início, essa candidatura também foi associada à influência do deputado Max Russi, considerando a relação política entre vocês e o apoio que ele lhe deu na eleição. O prefeito Abilio Brunini chegou a levantar a possibilidade de uma interferência de Max Russi na disputa, embora posteriormente tenha afirmado que a candidatura é um projeto do próprio senhor. Diante disso, como o senhor define hoje essa relação: quanto dessa candidatura à presidência da Câmara é um projeto pessoal seu e qual é, de fato, o papel de Max Russi nessa articulação?
Taques- A intervenção do deputado Max Russi não houve em nenhum momento e nem haverá. Desde o primeiro dia do meu mandato, tanto comigo quanto com a Katiuscia e com outros vereadores do partido que ele comanda, ele nunca interferiu. Nunca nos disse para sermos base ou oposição, nem orientou a votar “sim” ou “não” em determinada matéria.
Ele sempre nos deixou com muita tranquilidade para exercer o mandato.
Eu sempre tive o desejo, desde o primeiro dia em que ganhei a eleição para vereador, de disputar a Mesa Diretora. Eu já pensava em ser candidato na chapa da Paula.
Naquele momento, recebi um convite da Paula e também do prefeito para integrar aquele grupo 100% feminino. Fui o primeiro homem a apoiar a Paula e um dos articuladores da eleição dela. Quando declarei meu apoio, ela ainda não tinha conseguido o voto das outras mulheres. Tinha praticamente o meu voto, o dela e o da Katiuscia, e mais ninguém.
Foi difícil conquistar essa maioria e construir essa ideia entre as vereadoras. Então, eu já tinha esse projeto lá atrás.
Na época, fiz um compromisso com ela. Falei: “Paula, vou te ajudar aqui, mas, no outro biênio, eu vou ser candidato e quero o seu apoio”. E esse compromisso foi firmado.
Saímos vitoriosos com a chapa dela. A Paula é uma mulher muito querida por todos na Câmara, e fico muito honrado de ter apoiado a eleição dela. Há muitos anos a Câmara não era presidida por uma mulher.
Agora, chegamos ao segundo biênio e eu lancei minha candidatura. Formamos um grupo grande e chegamos a ter até 21 vereadores.
COPopular- Vereador, a partir do momento em que o senhor decidiu colocar oficialmente seu nome na disputa pela presidência da Câmara de Cuiabá, chegou a conversar com o deputado Max Russi sobre essa candidatura? Houve algum pedido de apoio ou orientação por parte dele? Como foi essa conversa e qual foi a posição de Max Russi diante da sua intenção de disputar o comando da Câmara?
Ilde Taques- Olha, apoio, não, porque quem vota são os vereadores. Mas a gente sempre conversa muito e pede orientação, até mesmo pela experiência que ele tem.
Ele já foi vereador, presidente de Câmara, prefeito por duas vezes, primeiro-secretário, presidente da Assembleia Legislativa e chefe da Casa Civil, entre outras funções. Então, a gente pede orientação, sim, pela experiência que ele acumulou.
Mas não tem como um deputado ou um senador interferir diretamente no processo da Câmara de Cuiabá. Na verdade, você precisa conquistar a confiança dos vereadores, construir um relacionamento e apresentar uma proposta que seja boa para cada vereador.
E foi isso que eu fiz.
COPopular- Vereador, antes mesmo de o senhor tomar posse, seu nome já era citado como uma possível opção para a presidência da Câmara. Naquele momento, houve uma mudança de estratégia, com seu apoio à candidatura da Paula e a construção de um compromisso para que, no segundo biênio, o senhor pudesse disputar o comando da Mesa Diretora. Como esse acordo foi construído? Foi uma conversa diretamente com a Paula ou envolveu também os demais vereadores e o grupo político que apoiou a eleição dela?
Ilde Taques- Não, com todo o grupo, não. Foi diretamente com ela. A gente tinha esse alinhamento.
Mas faz parte da política, e a política é muito dinâmica. Eu vejo com naturalidade ela querer disputar uma reeleição. Ela faz um bom trabalho, inclusive, na condução da Câmara de Cuiabá à frente da presidência.
Trouxe mais transparência para a Casa e também uma infraestrutura com melhores condições de trabalho para os vereadores e para os servidores.



