19 de Julho de 2026

ENVIE SUA DENÚNCIA PARA REDAÇÃO
logo

ENTREVISTA DA SEMANA Segunda-feira, 16 de Fevereiro de 2026, 13:33 - A | A

Segunda-feira, 16 de Fevereiro de 2026, 13h:33 - A | A

JANAINA RIVA

Pré-candidata ao Senado, Janaína Riva comenta cenário político e defende diálogo contra polarização

“Parlamentar fala sobre articulações partidárias em Mato Grosso, desafio lançado por Abílio Brunini e os desafios das mulheres na política”

Lucas Leite
Tangará Online
[email protected]

Em meio às movimentações que já desenham o cenário eleitoral de 2026, a deputada estadual Janaína Riva (MDB) falou ao COPopular sobre articulações partidárias, alianças políticas e os desafios de atuar em um ambiente cada vez mais polarizado. Pré-candidata ao Senado, ela comentou a filiação da vice-prefeita de Cuiabá, Coronel Vânia, ao MDB, avaliou o episódio envolvendo a gestora na CEMOB e abordou o cenário de alianças no Estado.

A parlamentar também respondeu sobre o desafio lançado pelo prefeito de Cuiabá, Abílio Brunini, discutiu o posicionamento ideológico do partido em Mato Grosso e refletiu sobre os obstáculos enfrentados por mulheres na política, especialmente diante de episódios de violência de gênero.

Na entrevista, Janaína defendeu o diálogo como ferramenta para superar a polarização, reafirmou sua identidade política alinhada à direita e destacou a importância de coerência de trajetória, construção de resultados e fortalecimento da representatividade feminina nos espaços de poder. Entrevista concedida no programa Roda de Entrevista.

COPopular- Deputada, recentemente houve muita repercussão sobre a entrada da vice-prefeita Coronel Vânia no MDB. Qual foi a negociação ou tratativa que levou a essa decisão?

Janaína Riva- Eu e Vânia conversamos muitas vezes sobre o enfrentamento à violência doméstica e fomos criando afinidade. Ela já coordenou a Patrulha Maria da Penha, tendo experiência nessa área. Foi candidata a vice-prefeita junto com o Abílio, e eu estava em um projeto diferente, o do Botelho. Durante as eleições, nos encontramos algumas vezes de forma cordial. Sempre respeitei sua liderança, pois, além de atuar no combate à violência, é coronel da Polícia Militar e sempre exerceu o serviço público com dedicação.

No mandato de vice-prefeita, trabalhamos juntas nessas pautas e em outros temas. Naturalmente, Vânia foi se aproximando, e entendemos que ela deveria se filiar ao MDB para que pudéssemos atuar juntas, fortalecendo uma à outra e evitando que ela permanecesse sozinha diante de ataques e perseguições. Acredito que ela encontrou no MDB um espaço onde se sente à vontade e livre
para construir seu projeto sem imposições. Tomou a decisão por si só, sem qualquer pressão. Queria que ela entendesse, pelo respeito à sua autoridade feminina na política, qual seria o melhor caminho. Se decidisse estar junto comigo, melhor ainda. Foi assim que chegamos a essa decisão.

COPopular- Deputada, se a Coronel Vânia já tivesse sido filiada ao MDB no momento do episódio na CEMOB, que teve grande repercussão com o vídeo e a maca, a situação poderia ter sido diferente para ela? O partido teria oferecido algum tipo de apoio ou proteção?

Janaína Riva- Com certeza, teria sido diferente. Naquele período, ainda não estávamos tão próximas, mas o episódio acabou nos aproximando. Usar uma maca para dizer que Vânia é fútil é absurdo. A maca faz parte do dia a dia das mulheres: quando nos maquiamos para entrevistas, eventos ou simplesmente para nos sentirmos bem, não há problema algum. Por que demonizar isso em um espaço de descanso da vice-prefeita? Se não estava sendo usado durante o trabalho, qual a diferença do que ela fazia? Poderia ser uma cama e não haveria problema. O ponto não é a maca. É para estigmatizar uma mulher e dizer que isso a torna fútil, que não trabalha ou não cumpre suas funções? Na presidência, temos banheiro e espelho para tomar banho, maquiar e nos arrumar, é natural para qualquer mulher. Não há nada de errado nisso. Naquele episódio, ela estava isolada e sozinha, e, na minha opinião, foi um ataque misógino. Talvez, com homens, não teria a mesma intensidade ou agressividade. Um homem usando a maca poderia ter justificativa médica, mas para uma mulher, foi tratado de forma completamente diferente.

COPopular- Deputada, sendo pré-candidata ao Senado, considerando que o MDB historicamente tem grande capacidade de articulação política, tanto à direita quanto à esquerda, como o partido pretende montar o palanque da sua campanha aqui em Mato Grosso após a oficialização da candidatura?

Janaína Riva- O MDB é um partido regionalizado. Cada estado tem uma vinculação ideológica própria. Assim como muitos partidos no Nordeste, e até alguns nacionalmente considerados de direita, o MDB pode alinhar-se à esquerda em determinadas situações. Por exemplo, o presidente da Câmara Federal, do Republicanos, está alinhado com a esquerda.

O partido mantém diretórios estaduais, que dão ao presidente estadual comando e poder decisório sobre suas alianças. Na eleição passada, apesar da candidatura da hoje ministra Simone Tebet, informei que caminharíamos com a direita. No Estado, havia alinhamento político e partidário com outros partidos, tornando mais confortável apoiar o presidente Bolsonaro, decisão que foi respeitada. Agora, numa eleição em que tenho total liberdade para decidir, já deliberamos com os deputados, pois não posso decidir sozinha, senão o partido ficaria dividido, que o MDB em Mato Grosso deve caminhar com a direita. A principal candidatura da direita continua sendo a de Flávio Bolsonaro. Essa tendência pode mudar, pois as convenções ainda definem detalhes, mas,
até o momento, é uma decisão do diretório executivo estadual. Baleia Rossi, presidente nacional do MDB, deixou claro que, em São Paulo, o partido não apoiará o PT. A decisão é regionalizada: em alguns estados, o MDB pode apoiar Lula ou outra candidatura que não seja Flávio Bolsonaro ou Lula.

COPopular- Deputada, sabemos que a campanha de 2026 já começou e que é um ambiente especialmente desafiador para mulheres, mães e filhas. A senhora, que já enfrentou situações de violência de gênero, poderia compartilhar sua experiência e falar sobre os desafios que outras mulheres podem esperar ao se lançarem como candidatas?

Janaína Riva- Conciliar trabalho e responsabilidades familiares é difícil para as mulheres, que ainda são mais cobradas pela ausência em casa e cuja presença em ambientes masculinos gera estranheza. Muitas situações antes vistas como normais, como assédio ou comentários pejorativos, hoje são crime. O afastamento do ministro Marco Busi é um exemplo de que ninguém é
inatingível e de que a pauta feminina avança. Mesmo com apoio em casa, há sempre um conflito: quando damos o melhor no trabalho, sentimos falta em casa, e vice-versa. Se é difícil para mim, imagino para mulheres mais vulneráveis, que dependem de transporte público e serviços públicos de saúde. Nosso diferencial é a empatia: conseguimos nos colocar no lugar de outras mulheres e levar suas vozes adiante. Esquecer a pauta feminina seria ignorar nossa própria história e as lutas das que vieram antes.

COPopular- Deputada, esta semana repercutiu o episódio em que o prefeito Abílio Brunini a teria desafiado a deixar seu partido para comprovar sua posição à direita. Como a senhora avalia esse desafio?

Janaína Riva- Eu já sou mulher, não preciso provar nada a ninguém. Quem acredita em mim, me conhece ou me apoiou ao longo de três mandatos concluídos sabe que sou de palavra, corajosa e de personalidade forte. Pesquisas também confirmam que essas são qualidades que as pessoas associam ao meu trabalho.

Quem quiser conhecer meu histórico pode acessar minhas redes sociais e verá a trilha do meu trabalho, sem nunca ter abandonado minhas pautas. Nunca mudei de lado. Tive divergências pontuais, mas nunca desrespeitei minha própria biografia ou disse que tudo que defendi estava errado. Não mudo de palavra nem de posicionamento constantemente. As pessoas sabem disso: fui a mais votada em duas eleições. Lembro que, na primeira, diziam que eu só tinha o que tenho por conta do pai, que não aguentaria outro mandato, que era apenas um rostinho bonito. Mas mostrei meu valor nas urnas, enfrentei o desafio da reeleição e tenho convicção de que entreguei o meu melhor. Não preciso provar nada a ninguém.

COPopular- Deputada, a senhora afirmou que nunca mudou de opinião e nunca abandonou uma causa, mesmo tendo contato com diferentes grupos de eleitores, do agronegócio ao jovem progressista, passando por servidores públicos e conservadores, o que já lhe rendeu críticas. Nesse cenário político polarizado, como a senhora se enxerga e como definiria sua própria política?

Janaína Riva- A maioria da população não é radical, nem de um lado nem de outro. O problema é que o debate público tem sido dominado por discursos extremados, que pouco contribuem para a construção de soluções. Nos últimos anos, avançamos pouco no que realmente importa, como a proteção às crianças e às mulheres. Aumentar penas, por exemplo, não resolveu o problema da criminalidade, que continua crescendo. Falta diálogo no Congresso. Muitas vezes, há convergência para pautas de interesse próprio, mas não para temas que beneficiam diretamente a população. O país vive insegurança, especialmente na área da segurança pública, e ainda assim o debate se perde em disputas ideológicas. Defendo o diálogo. Ser mais posicionada à direita não significa deixar de ouvir pautas da esquerda ou do centro. É possível buscar equilíbrio e construir soluções intermediárias. Na Assembleia, houve momentos em que nem um lado nem outro prevaleceu integralmente, e isso permitiu avanços. Foi um período em que projetos do governo foram discutidos e modificados, demonstrando que o equilíbrio produz resultados. A polarização alimenta os extremos, que muitas vezes falam apenas para suas bases, em vez de buscar soluções concretas. Durante meu mandato, priorizei resultados. Entrar em debates vazios, sem consequência prática, não contribui nem para Mato Grosso nem para o Brasil.


Comente esta notícia

AVISO: Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do Tangará Online (tangaraonline.com.br). É vedada a inserção de comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros. O site Tangará Online (tangaraonline.com.br) poderá retirar, sem prévia notificação, comentários postados que não respeitem os critérios impostos neste aviso ou que estejam fora do tema da matéria comentada.


image