O deputado estadual Gilberto Cattani concedeu entrevista ao Copopular em um momento de forte movimentação política em Mato Grosso e no cenário nacional. Na conversa, o parlamentar comentou desde a repercussão de pesquisas eleitorais até as articulações internas do Partido Liberal (PL) para a formação das chapas proporcionais e majoritárias nas próximas eleições.
Cattani avaliou ainda o desempenho do partido na última eleição estadual, as estratégias adotadas para a composição da atual chapa e o potencial eleitoral dos nomes que devem disputar vagas na
Assembleia Legislativa. O deputado também comentou projeções de bancada e a influência do eleitorado ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro no desempenho do partido.
Na entrevista, o parlamentar abordou ainda divergências internas sobre possíveis alianças para a disputa ao governo do Estado, comentou especulações envolvendo nomes da política mato-grossense e afirmou que há definições já estabelecidas dentro do PL sobre pré-candidaturas.
Outro ponto central da conversa foi a polêmica envolvendo um projeto apresentado por Cattani na Assembleia Legislativa relacionado à retirada do nome de sua filha, Raquel Cattani, de um espaço público. O deputado também reagiu a declarações de colegas parlamentares e às manifestações da Mesa Diretora da Casa, destacando o impacto pessoal e político do episódio.
A entrevista expõe bastidores da articulação política no Estado e evidencia tensões internas, estratégias eleitorais e debates sensíveis que devem influenciar o cenário das eleições de 2026 em Mato Grosso.
COPopular- Como o senhor avalia os resultados da pesquisa contratada pela TV Cuiabá, do Documento, na qual seu nome aparece com 0,2%, e qual a sua opinião sobre a credibilidade de levantamentos eleitorais que vêm sendo divulgados pela imprensa, especialmente em relação à disputa pela Presidência da República?
Gilberto Cattani –A pesquisa sempre é boa. Ela é uma espécie de especulação antecipada da eleição. Fico feliz e até surpreso de aparecer nesse levantamento, porque na última eleição, até a reta final, eu não aparecia em nenhuma pesquisa. Agora apareço com um percentual pequeno e, para mim, já está de bom tamanho. Se isso tiver algum peso para a eleição, fico satisfeito em ter meu nome citado. Mas nas últimas eleições municipais, vimos que as pesquisas não tiveram grande precisão, erraram bastante e trouxeram muitas surpresas. Eu, particularmente, prefiro a pesquisa popular.
COPopular- Como o senhor avalia a formação da chapa do PL neste ano, especialmente após as críticas feitas na eleição passada sobre a montagem considerada fraca e com impacto no número de cadeiras na ALMT, e como o senhor enxerga os nomes que estão sendo apresentados como possíveis colegas de partido, como Samantha Iris e Faissal?
Gilberto Cattani –Eu não me envolvo muito na formação da chapa. Até porque eu sempre digo que sou do PL, defendo meu partido, mas não faço parte da executiva estadual e nem tenho cadeira de vogal na direção estadual, então não falo em nome do partido. Na última eleição, como você bem lembrou, nós não seguimos a orientação do Ananias, que era nosso orientador e presidente do partido. Ele defendia abrir o partido para mais pessoas com nome, para compor uma chapa com mais volume de votos. Mas nós não aceitamos essa proposta. Principalmente o deputado Eliseu tomou a frente defendendo que deveriam permanecer apenas os detentores de mandato, junto com alguns nomes sem mandato. Havia também o Claudinei nesse contexto. O resultado foi que elegemos apenas dois deputados. Se tivéssemos trazido mais candidatos com votação expressiva, talvez o coeficiente eleitoral tivesse sido maior e conseguido mais cadeiras. O Claudinei só não entrou porque o Gilberto, de Chapada dos Guimarães, teve seus votos anulados. Se tivéssemos mais um candidato com uma votação um pouco maior, provavelmente teríamos feito mais um deputado na Assembleia Legislativa. Com isso, a gente aprendeu. E desta vez não houve nenhum tipo de retaliação. Pelo contrário, houve a tentativa de trazer nomes com mais votos, mas deixamos essa condução com o Ananias, e acredito que ele montou uma chapa muito bem estruturada. Temos o deputado Faissal, que tenho certeza de que vai se destacar como um grande nome no Estado. Temos também a Samantha, que certamente será muito bem votada, além do Alcindo Barcelos e outros nomes, ao todo são cerca de 30 candidatos, então não consigo lembrar de todos. Temos a expectativa de fazer até quatro cadeiras. Há uma confiança, ou até uma certeza, de que podemos alcançar um bom volume de votos de legenda, porque muitos mato-grossenses devem votar 22 por conta do presidente Bolsonaro. Então esperamos até uma quinta cadeira, caso a legenda seja muito bem votada.
COPopular- Sobre a chapa proporcional, como o senhor avalia o cenário da chapa majoritária do PL para as próximas eleições, diante da divisão interna entre o apoio à pré-candidatura de Wellington Fagundes ao governo e a defesa de outros setores do partido por uma composição com Otaviano Pivetta, Mauro Mendes e José Medeiros ao Senado, e em qual posição o senhor se coloca nesse debate, incluindo eventual apoio ao nome de Pivetta?
Gilberto Cattani-Assim, com toda sinceridade, desconheço esse pessoal do PL que apoiaria o Piveta e defenderia essa composição. Desconheço mesmo, não estou sendo hipócrita. O que existe são essas conversas de bastidor na mídia, mas nunca vi ninguém do PL se posicionar dizendo “eu quero que seja o Piveta” ou algo nesse sentido. A não ser essa semana o Cláudio, que declarou um apoio pessoal ao Piveta. Isso é uma manifestação isolada, individual. Até considero isso um desrespeito ao partido. Mas, dentro do PL, desde que o Flávio Bolsonaro definiu pelo Wellington Fagundes, o nosso pré-candidato ao governo é o Wellington Fagundes, e o José Medeiros é o nosso pré-candidato ao Senado. Isso está definido. Para nós, não existe essa divisão. O que existe, de fato, é uma conversa sobre a possibilidade de trazer o MDB para compor uma aliança. E eu já disse isso ao Wellington: não estou falando pelas costas nem desmerecendo o trabalho dele, que, na minha visão, tem se destacado dentro da direita recentemente. Mas, se ele trouxer o MDB, vai ser muito difícil a gente sustentar essa composição, não por causa de nós, mas por causa da própria base bolsonarista que nos apoia. As pessoas não aceitam algumas situações. Por exemplo, o MDB foi o maior adversário do Abílio aqui em Cuiabá, também foi adversário da Flávia em Várzea Grande, do Cláudio em Rondonópolis, e segue sendo oposição em outros municípios, como em Primavera do Leste. Então, a gente pode acabar perdendo muito com essa composição. Na minha avaliação, o MDB não agrega tanto para nós, mas pode tirar muito da nossa base se entrar nessa articulação futura. Essa é a divisão que eu enxergo.
COPopular- Em relação à proposta que o senhor apresentou para a retirada do nome de Raquel Cattani de uma sala, após as declarações feitas pelo deputado Barranco e a posterior manifestação do presidente Max Russi, que destacou a importância da história dela para o Estado, como o senhor recebeu a fala do presidente da Assembleia e o senhor pretende de fato retirar esse projeto?
Gilberto Cattani-Não, eu não vou retirar o projeto.Apresentei essa proposta com essa intenção. O presidente Max Russi tem todo o direito de não querer dar andamento a um projeto dentro da Assembleia. Isso cabe exclusivamente à Mesa Diretora, não depende mais de mim. Mas o que o Barranco fez foi totalmente deselegante. Ele desrespeitou a memória da minha filha com o que disse. Ele afirmou que, se uma arma resolvesse alguma coisa, a Raquel não teria morrido, porque ela supostamente sempre viveu armada. Isso é mentira. A Raquel não tinha arma, nunca teve. E, se tivesse, eu tenho certeza de que ela estaria viva. Quando ele faz esse tipo de declaração, sendo procurador da Procuradoria da Mulher, são três, a Janaína como procuradora e dois vice-procuradores, o Avalone e o Barranco, isso se torna ainda mais grave. Como você disse, eu não gostei. E é verdade, não gostei nem um pouco. Nem a Sandra gostou, nem ninguém da minha família gostou. Mas parece que fomos os únicos. A Procuradoria não se manifestou, o outro procurador também não, ninguém se posicionou. O presidente Max se manifestou após eu pedir providências para a retirada do nome da Raquel, porque, como você disse, ela é muito maior do que isso. Eu não quero que o nome dela seja usado nesse tipo de situação. Não quero que a memória da Raquel seja utilizada para esse tipo de narrativa ou para uma defesa seletiva de mulheres. Ou se defende todas, ou não se faz defesa seletiva. Não quero o nome dela envolvido com esse tipo de atitude.



