O deputado estadual Júlio Campos avaliou, em entrevista ao Centro Oeste Popular, o início dos trabalhos legislativos na Assembleia e a formação das comissões temáticas. Segundo ele, a definição dos integrantes é responsabilidade dos líderes dos blocos partidários.
No âmbito da área da saúde, afirmou que mantém sua assinatura na CPI e defende que denúncias devem ser investigadas com transparência. Ainda assim, reconheceu o trabalho realizado pelo secretário de Saúde, Gilberto Figueiredo.
O deputado também comentou as mudanças no DAE e avaliou que a prefeita buscou reorganizar a equipe para ampliar a base de apoio na Câmara Municipal. Além disso, destacou discussões do União Brasil sobre o cenário eleitoral de 2026, incluindo a definição de regras internas para vereadores que pretendem disputar vagas de deputado estadual.
Centro Oeste Popular - Deputado, como o senhor avalia a definição e a composição das comissões temáticas da Assembleia neste início de legislatura?
Júlio Campos - Essas definições cabem aos líderes dos blocos partidários. No meu caso, por exemplo, não tinha interesse inicial em participar de comissões, porque já tenho muitas responsabilidades como vice-presidente da Assembleia. No entanto, atendendo a um pedido do líder do nosso bloco, acabei sendo indicado novamente para integrar a Comissão de Redação. Trata-se de uma comissão muito importante, que se reúne e exige bastante dedicação dos parlamentares. Diante disso, aceitei a missão. Pelo que acompanhamos, houve também um desentendimento dentro do bloco governista, envolvendo os deputados Dilmar Dal’Bosco e Eduardo Botelho, situação que acabou tendo repercussão na imprensa. Acredito, porém, que a partir de agora os trabalhos devem seguir normalmente. A Comissão de Constituição e Justiça, que já foi formada e deve se reunir para eleger o presidente e o vice-presidente.
Centro Oeste Popular – O senhor assinou o pedido de abertura da CPI da Saúde, enquanto o governador classificou a proposta como uma perda de tempo para a Assembleia. Qual é a sua posição sobre isso?
Júlio Campos - Assinei e não retiro minha assinatura, porque considero que assinatura é um compromisso. No momento em que ela foi colhida, existiam denúncias sérias sobre possíveis problemas na área da saúde que mereciam ser investigados. Ao mesmo tempo, reconheço a seriedade, a competência e o trabalho realizado pelo secretário Gilberto Figueiredo à frente da Secretaria de Saúde. Não há motivo para temer uma investigação. Acredito que toda CPI que precise acontecer, deve acontecer, garantindo que todos tenham a oportunidade de se defender de forma democrática. Inclusive, avalio que o secretário Gilberto realizou um trabalho importante na pasta, com diversas obras sendo entregues no final de sua gestão. Eventualmente, erros podem ter ocorrido por parte de assessores ou em situações pontuais, como já foi citado em investigações anteriores, como na Operação Espelho. Mas isso não significa, necessariamente, que o secretário seja responsável por todas as falhas. Por isso, não vejo motivo para receio. Na minha avaliação, o governo está se preocupando além do necessário.
Centro Oeste Popular – Recentemente, houve uma mudança no DAE, mas também vieram à tona declarações da prefeita de que não tinha comando sobre o órgão e que quem estaria à frente seria o vice-prefeito. Como o senhor acompanhou toda essa confusão envolvendo o DAE?
Júlio Campos - Acredito que a prefeita, em uma estratégia de bom relacionamento com a Câmara Municipal, decidiu promover algumas mudanças internas em sua equipe para ampliar o apoio entre os vereadores. Ao que tudo indica, ela está conseguindo consolidar um bloco de aproximadamente 12 vereadores em apoio à sua gestão, um avanço significativo em relação aos três que inicialmente estavam mais alinhados. Para alcançar essa maioria, parece que algumas concessões foram feitas. Há a indicação de que o vereador Rogerinho Dakar poderá assumir a presidência do DAE. Ele é um empresário de sucesso, um bom vereador e um parlamentar atuante e independente. Também há a possibilidade de o vereador Eugênio Neto assumir a Secretaria de Cultura e Esporte, representando o MDB. Trata-se de um tema que envolve a dinâmica interna da base da prefeitura, que é ampla e, naturalmente, complexa. Por isso, prefiro apenas desejar sucesso ao Rogerinho no comando do DAE, bem como à prefeita e à sua equipe, para que possam trabalhar de forma mais unida.
Centro Oeste Popular – Nos últimos dias, você participou da reunião do União Brasil realizada na residência do senador Jaime Campos. O que foi discutido e debatido nesse encontro?
Júlio Campos - A reunião foi previamente marcada por um grupo de companheiros do partido com o objetivo de discutir o cenário político de 2026, tanto no âmbito do Legislativo quanto do Executivo. Na ocasião, ficou definido, em princípio, que nenhum vereador filiado ao União Brasil terá autorização para deixar o partido com o objetivo de disputar o cargo de deputado estadual por outra legenda. A decisão vale para todos os parlamentares da sigla. No caso da vereadora Maysa Leão, por exemplo, caso ela queira disputar uma vaga de deputada estadual, terá espaço garantido dentro do União Brasil. Por outro lado, se algum vereador optar por sair do partido para concorrer por outra sigla, a posição da executiva é de que isso não será permitido, podendo resultar inclusive em perda de mandato. Essa decisão foi tomada de forma unânime pela direção partidária. Outro ponto definido durante a reunião é que a chapa do União Brasil para deputado estadual já está praticamente consolidada, contando atualmente com nove pré-candidatos colocados.
Centro Oeste Popular – O prefeito Abilio Brunini vinha defendendo o nome de Fabiano Pimenta, mas recentemente apareceu em um vídeo com Flávio Bolsonaro declarando apoio a Elito Faboso. Se ele não apoiar um candidato do União Brasil, isso pode enfraquecer o partido?
Júlio Campos - Não, não faz falta. O Abilio é visto como um aliado em nível nacional. O posicionamento dele em relação à sucessão presidencial coincide muito com o do União Brasil. No entanto, no cenário local, ele acaba sendo um concorrente político. Não diria que é um adversário radical, até porque o PL pode, em um eventual segundo turno, vir a somar conosco em um projeto de governo. O PL tem um candidato natural, que é um bom candidato, um excelente político, com uma trajetória vitoriosa: o senador Wellington Fagundes, que já exerceu dois mandatos como deputado federal. Também não podemos ignorar o desejo do senador Jayme Campos de disputar a eleição. Acredito que, neste momento, o Abilio está seguindo o caminho correto, com postura de liderança política e sem qualquer tipo de traição.



