A possível visita do senador Wellington Fagundes ao ex-presidente Jair Bolsonaro na Papuda reacende o debate sobre os rumos do PL em Mato Grosso e os desdobramentos do cenário político estadual e nacional.
Em entrevista o parlamentar fala sobre a expectativa para o encontro, comenta a construção de alianças, a disputa interna no partido, a relação com lideranças estaduais como Mauro Mendes e Otaviano Pivetta, além das articulações em torno das candidaturas majoritárias e do fortalecimento da sigla no Estado.
Centro Oeste Popular – Senador, o senhor deverá visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro nos próximos dias, na Papuda. Qual é a sua expectativa para esse encontro e que temas devem nortear essa conversa?
Wellington Fagundes – É um momento de emoção. Estive conversando com o ex-presidente Jair Bolsonaro recentemente. No meio de julho, durante o recesso do Congresso Nacional, eu e o senador Magno Malta estivemos com ele por cerca de 15 dias. Tive a oportunidade de conversar bastante com o Bolsonaro, em momentos mais reservados, quando ele já enfrentava dificuldades. Tenho certeza de que estar com ele na Papuda será novamente um momento muito emocionante, especialmente para poder abraçá-lo. Sei que ele está passando por um período de sofrimento, e por isso reforço sempre a importância de termos Deus no coração e serenidade para enfrentar os desafios.
Centro Oeste Popular – Em um cenário de articulação nacional envolvendo o seu grupo político, até que ponto o senhor estaria disposto a rever seus planos eleitorais em nome de um projeto maior?
Wellington Fagundes – A primeira questão é que não acredito que Jair Bolsonaro fará esse tipo de pedido. Temos uma convivência de 24 anos, desde o período em que fomos deputados juntos. Depois, ele se elegeu presidente da República e continuamos próximos. Quando ele veio para o PL, fortaleceu ainda mais nossa relação, já que todos os meus mandatos foram pelo partido. Para mim, lealdade e fidelidade são valores fundamentais. Por isso me defino como conservador. Deus, pátria e família são princípios importantes na minha vida. Tenho uma família estruturada e foram oito anos de namoro e 42 anos de casamento, somando 50 anos de convivência com minha esposa. Esses valores orientam minha trajetória pessoal e política. Essa convivência com o parlamentar me faz respeitá-lo profundamente, e tenho convicção de que ele também conhece minha conduta. Na eleição passada, ele me convidou diversas vezes, ainda como presidente da República, para ser candidato ao governo do Estado. Naquele momento, eu defendi que o melhor caminho seria o entendimento político. O presidente nacional do PL, Waldemar da Costa Neto, também teve papel importante nesse diálogo, especialmente porque havia resistência em relação ao governador Mauro Mendes. Argumentamos que a composição seria positiva e o resultado mostrou que estávamos corretos. Mato Grosso foi o segundo estado em que Bolsonaro obteve maior votação proporcional. Nesse mesmo processo, fui reeleito senador com uma das maiores votações proporcionais do país. O Mauro Mendes foi reeleito e o PL elegeu quatro dos oito deputados federais do Estado. As eleições municipais também confirmaram esse fortalecimento, com um desempenho expressivo do partido. Hoje, o PL é o maior partido do Brasil e também o maior em Mato Grosso. Por isso, entendemos que é importante que o partido tenha candidatura própria ao governo. O PL já definiu essa estratégia. Vamos trabalhar pela eleição de Flávio Bolsonaro como um dos principais projetos nacionais do partido, assim como pela minha candidatura ao governo e pela candidatura de José Medeiros, que é o nome definido pelo partido. As demais vagas serão construídas com diálogo e ouvindo a população
Centro Oeste Popular – Dentro do PL há uma movimentação interna em torno das eleições estaduais, especialmente no campo alinhado ao ex-presidente Jair Bolsonaro, do qual também faz parte o vice-governador Otaviano Pivetta. Como o senhor avalia esse cenário e de que forma pretende trabalhar para unificar o grupo, evitando divisões que possam comprometer o desempenho eleitoral do campo bolsonarista em Mato Grosso?
Wellington Fagundes – É natural que, neste momento, existam movimentações e conjecturas. Temos os prazos definidos pela Justiça Eleitoral e somente até 4 de abril é que se consolidará, de fato, quem poderá ser candidato, quem se desincompatibilizou e quem está devidamente filiado aos partidos. No meu caso e no deputado José Medeiros, essa etapa já está superada. Somos pré-candidatos com a autorização da direção nacional do partido. Agora, cabe a nós realizar o trabalho político, dialogar e construir unidade. Tenho convicção de que o PL iniciará a campanha unido, em torno de um único projeto. Nosso objetivo é fortalecer o partido nacionalmente e consolidar o PL como uma das principais forças políticas em Mato Grosso. Trabalhamos para que o partido alcance uma votação expressiva, inclusive proporcionalmente entre as maiores do país, e para que continue crescendo no Estado. Portanto, é natural que haja diferentes posicionamentos neste momento. O debate faz parte do processo democrático. Mas, ao final, todos precisarão convergir para um projeto comum, que é o fortalecimento do partido e do nosso grupo político.
Centro Oeste Popular – Diante do cenário, é perceptível que há resistências pontuais dentro do próprio grupo político em relação ao seu nome. O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini, já declarou simpatia pela pré-candidatura do vice-governador Otaviano Pivetta, assim como a prefeita Flávia Moretti. Em Rondonópolis, há ainda o caso envolvendo o ex-prefeito Cláudio Ferreira, além de episódios em que lideranças partidárias locais apoiaram adversários políticos. Diante desses movimentos, como o senhor pretende superar essas divergências internas e construir unidade no partido? Que estratégia será adotada para consolidar apoio entre prefeitos e lideranças que hoje demonstram alinhamento com outro projeto dentro do próprio campo político?
Wellington Fagundes – Primeiramente, com muito diálogo. Todos me conhecem como um municipalista convicto. Estou presente nos municípios, atuando e destinando recursos. Na campanha eleitoral, como já mencionei, a fidelidade e a lealdade foram princípios que segui com todo o PL. Não houve município em que o partido tivesse candidato e não estivesse presente. No caso do Cláudio, por exemplo, não apenas abrimos o coração, mas também o partido para ele. A presidência local do PL foi colocada à disposição. Ele quis assumir o controle, e assim foi feito. O mesmo ocorreu em Cuiabá. Toda a campanha do Abílio foi realizada no mesmo espaço, o Espaço 22 do Wellington Fagundes. Também participei de eventos com ele, caminhadas em Primavera do Leste, Sinop e diversas outras cidades. Não acredito que as questões se resolvam de um momento para o outro, mas tudo é construído com diálogo e compromisso.
Centro Oeste Popular – No início das articulações foi divulgado que o PL teria o senador José Medeiros como candidato ao Senado e apoiaria o governador Mauro Mendes. Esse cenário ainda permanece válido? Como está hoje essa construção política, especialmente diante da pré-candidatura da deputada Janaína Riva ao Senado? Houve reabertura de diálogo ou revisão de estratégias dentro do partido? Quais critérios estão sendo considerados neste momento para a definição das candidaturas majoritárias?
Wellington Fagundes – Olha, cada momento representa um amadurecimento. Por isso, a política não é uma ciência exata. Na política, é preciso ter muita capacidade e, principalmente, humildade. Eu costumo dizer que quem ganha precisa ter ainda mais humildade do que quem perde, porque quem vence assume a obrigação de trabalhar para todos. Sempre afirmo que o voto é um ato de confiança que o eleitor deposita no político. E a melhor forma de retribuir essa confiança é por meio do trabalho. Para trabalhar, é necessário dialogar com todos. Às vezes, os mais radicais não compreendem que, na política, para conseguir executar ações e gerar benefícios à população, é preciso construir caminhos e pontes. Por isso, mantenho uma relação respeitosa com todos em Brasília. Eu sempre digo: não sou de briga, sou de luta. É dessa forma que atuo. Em cada município que visito, sou recebido com carinho, com pessoas que incentivam minha candidatura e também contribuem com orientações, porque a política é um aprendizado diário. Quanto ao PL, estamos em um processo de fortalecimento e crescimento. Trata-se de um trabalho contínuo, construído com diálogo. Tenho convicção de que haverá apoio mútuo entre mim e os companheiros do partido, e que, a partir disso, buscaremos ampliar ainda mais essa aliança.



