Em meio às discussões sobre a possível reestruturação do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) em Mato Grosso e aos impactos recentes da janela partidária no cenário político estadual, o presidente da Assembleia Legislativa, Max Russi, falou ao Centro Oeste Popular sobre os principais desafios e articulações em curso. Na entrevista, ele abordou desde a preocupação com a continuidade dos serviços de saúde e o papel da Comissão de Saúde nas tratativas, até o fortalecimento do Podemos após o período de filiações e a montagem das chapas para as eleições. Russi também comentou sobre alianças políticas, possíveis candidaturas e os impactos de mudanças partidárias recentes no equilíbrio das composições eleitorais.
Centro Oeste Popular –Presidente, em relação ao SAMU, há informações sobre a situação dos servidores que foram demitidos e sobre a possibilidade de mudanças no serviço em Mato Grosso. Existe, inclusive, a dúvida se o atendimento seria encerrado, mantido parcialmente ou incorporado de outra forma. O que a Assembleia Legislativa sabe, até o momento, sobre a posição do Governo do Estado a respeito desse assunto?
Max Russi – Não, são duas pautas. Primeiro, nós jamais vamos aceitar a paralisação do serviço do SAMU, que é um serviço importante, que salva vidas e está presente no nosso estado. A Assembleia Legislativa não vai aceitar qualquer retrocesso; o fechamento do atendimento do SAMU seria um retrocesso, e não acredito que isso aconteça. Quanto às mudanças, o que vem ocorrendo eu deixei a cargo da Comissão de Saúde, que é uma comissão importante da nossa Casa, formada por deputados preparados que cuidam da área da saúde, para que possam fazer os devidos encaminhamentos. A Comissão de Saúde, junto com os profissionais do SAMU, com os profissionais de saúde do estado e também com o Corpo de Bombeiros, está tratando dessa questão. Portanto, quem está responsável pelos encaminhamentos, desdobramentos e pelo apoio da Assembleia no que for necessário é a Comissão de Saúde da Assembleia.
Centro Oeste Popular – Deputado, em relação à janela partidária, que se encerrou recentemente e definiu a composição dos partidos para aqueles que irão disputar as eleições, qual balanço o senhor faz do Podemos após esse período?
Max Russi – O balanço é muito positivo, confesso que ficou além das expectativas. Conseguimos montar uma chapa de candidatos a deputado estadual muito bem estruturada, presente em todo o estado de Mato Grosso, com representantes em todas as regiões. Também formamos uma boa chapa de candidatas mulheres, com forte representatividade, e temos certeza de que vamos eleger uma mulher dentro do Podemos para a próxima legislatura. Então, foi um sucesso. Em relação à chapa federal, confesso que tinha uma expectativa um pouco menor em termos de montagem, por ser mais difícil, mas também tivemos um êxito muito grande. Filiamos um deputado federal de mandato, Nelson Barbudo, e o Podemos foi um dos partidos que mais cresceu nessa janela, sendo, se não me engano, o segundo que mais cresceu, ampliando seu quadro de deputados federais. Saímos de cerca de 17 ou 18 para aproximadamente 27 ou 28 deputados federais, formando uma bancada forte em Brasília, e Mato Grosso contribuiu com isso com a filiação de Nelson Barbudo. Também filiamos Nery Geller, ex-ministro e ex-deputado federal, que tem um trabalho forte na agricultura do estado. Somando esses dois nomes à chapa que já tínhamos montada, posso afirmar com segurança que o Podemos vai eleger deputado federal e terá representação em Brasília defendendo o estado de Mato Grosso na próxima legislatura. Nós temos duas mulheres e ainda temos uma surpresinha.
Centro Oeste Popular – Deputado, o senhor demonstra confiança na montagem da chapa federal e acredita que, com seis ou sete candidatos competitivos, o partido já consegue eleger um deputado e até disputar uma segunda vaga. Diante disso, como está sendo articulada essa composição, especialmente em relação a nomes como Allan Kardec e Rovere, e qual a expectativa real do Podemos para o desempenho nas eleições?
Max Russi – Não, esse é um quadro em que eu tenho muita tranquilidade. Se nós tivermos seis ou sete candidatos, pelos perfis dos nossos nomes, já conseguimos atingir pelo menos 80% e eleger um deputado federal. Completando essa chapa com Allan, com Rovere e com outros nomes que temos dentro do partido, teremos um avanço, brigando pela segunda vaga. Então, temos muita tranquilidade. O Rovere é alguém que decide lá em julho; a melhor chapa para ele disputar, com mais chances de ganhar, é dentro do Podemos, onde ele concorre em condição de igualdade com os demais candidatos, mas essa é uma decisão que cabe a ele. O Allan Kardec tem como projeto disputar para deputado estadual, mas disse que é companheiro do grupo e, se for preciso, já foi candidato a deputado federal e está à disposição para ajudar. Eu não vou pedir sacrifício ao Allan; a princípio, trabalho com a possibilidade de ele disputar como deputado estadual, sendo candidato dentro da nossa chapa, porque ele já foi, em outro momento, para o sacrifício e já disputou essa eleição, então deixei isso muito à vontade. E temos condição, com o Rovere e outros nomes, de completar a chapa federal, com novos nomes compondo, disputando e, com certeza, garantindo a eleição de um deputado federal.
Centro Oeste Popular – Quando Euclides Ribeiro se filiou, houve esse pedido para que ele disputasse o Senado, considerando sua trajetória e atuação política?
Max Russi – Houve o pedido de que ele quer fortalecer o grupo, está dentro das possibilidades e a gente vai trabalhar. Eu acho que é um bom nome, é um nome que já disputou eleição ao Senado e, se porventura a gente não construir nenhuma composição, temos um nome que pode ser colocado para disputar a eleição deste ano.
Centro Oeste Popular –Deputado, até o último momento ainda se falava na montagem de uma chapa com o grupo alinhado ao governador e a TavianoPriveta. O grupo sentiu muito a saída do PRD? Qual foi o impacto dessa mudança?
Max Russi – Sentiu porque desestruturou uma chapa que estava montada de última hora, então isso fez com que vários deputados quebrassem a cabeça e refizessem a montagem das chapas. Algumas dessas montagens não ficaram boas, e há partidos que terão dificuldade, mas ainda há tempo e condições de se reorganizarem. Isso gerou, sim, um transtorno e uma dificuldade muito grande, fazendo com que fossem repensadas as montagens das chapas e agregados alguns nomes.



