O deputado estadual Lúdio Cabral (PT) voltou a elevar o tom das críticas ao governo do Estado em relação às obras do BRT em Cuiabá e Várzea Grande. O parlamentar questionou os sucessivos atrasos no cronograma, cobrou explicações sobre contratos que já ultrapassam o valor inicialmente previsto para toda a obra e anunciou que irá reapresentar o requerimento de convocação do secretário estadual de Infraestrutura.
Lúdio também afirmou que irá encaminhar uma representação ao Tribunal de Contas do Estado (TCE) para apurar diferenças de valores em contratos ligados ao projeto. Segundo ele, um mesmo objeto teria dobrado de preço em um intervalo de poucos meses.
Além das críticas à condução das obras do BRT, o deputado comentou a discussão nacional sobre o fim da escala 6x1 e criticou a mudança de posicionamento do PL em relação ao tema trabalhista.
COPopular- Diante das críticas sobre atrasos na obra do BRT e do pedido de prorrogação de data para comparecimento à Assembleia, o secretário de Infraestrutura pode ser novamente convocado para explicar os sucessivos adiamentos e o andamento do cronograma prometido para a conclusão das obras?
Lúdio Cabral - Lembram que eu havia apresentado um requerimento de convocação do secretário de Infraestrutura. Foi aprovado como convite e agendado para o dia 25, ou seja, anteontem. O secretário encaminhou um ofício pedindo prorrogação para uma data, é cômico para não dizer trágico, para uma data posterior ao dia 15 de julho deste ano. Então, assim, o governo está tratando a convocação para prestar explicações sobre o BRT da mesma forma como, infelizmente, está tratando a obra: com atrasos sucessivos. Nós não vamos aceitar isso. Hoje estou reapresentando o requerimento de convocação para que ele venha o mais rapidamente possível prestar esclarecimentos sobre os sucessivos atrasos no andamento da obra. Da última vez em que o Marcelo esteve aqui na Assembleia, ele garantiu que até fevereiro de 2025 todo o trecho do aeroporto até o Hospital de Câncer estaria com as obras de infraestrutura e o pavimento concluído. Ele afirmou isso em outubro de 2025. Nós já estamos no final de maio e a população continua sofrendo com os transtornos do trânsito na principal avenida de Cuiabá, a Prainha, e na Avenida do CPA. Nós tínhamos uma série de questionamentos a fazer a ele, e parte desses questionamentos eu farei hoje, em plenário, sobre as dispensas de licitação que a Sinfra realizou após a data em que ele esteve aqui na última convocação. Vamos reapresentar o requerimento para uma nova data, agora no mês de junho, para que ele venha prestar os esclarecimentos que precisamos sobre o andamento dessa novela interminável do BRT.
COPopular- Diante da previsão inicial de R$ 430 milhões para toda a obra do BRT e de contratos que já ultrapassam milhões apenas no trecho 1, o governo pode esclarecer se dará continuidade aos demais trechos do projeto ou se haverá reavaliação do planejamento original da obra?
Lúdio Cabral-Nós vamos apresentar os dados depois para vocês, mas o fato é que, até agora, uma obra que originalmente estava prevista para custar, nas palavras do governador do Estado, 430 milhões de reais, toda a obra, o trecho 1, do aeroporto até o Hospital de Câncer; o trecho 2, Fernando Corrêa; e o trecho 3, Getúlio Vargas e Isaac Póvoas, tinha previsão de custo de 430 milhões de reais. Somente o trecho 1 já tem mais de 500 milhões de reais contratados. Uma das informações que o secretário passou na última convocação, em outubro, é que em 45 dias seria lançada a licitação para o trecho da Fernando Corrêa. Até hoje, nada. Eles precisam vir aqui esclarecer se irão dar início ao trecho da Fernando Corrêa ou se vão abandonar esse trecho e concentrar investimentos, gastando meio bilhão de reais apenas em um único trecho.
COPopular- Na avaliação do senhor, qual seria hoje o custo total estimado da obra do BRT diante dos contratos já firmados e dos valores que vêm sendo apresentados pelo governo?
Lúdio Cabral-Eles já contrataram mais de 500 milhões de reais para o trecho 1. E toda a obra, originalmente, seria de 430 milhões. E especificamente essa dispensa de licitação precisa ser explicada. Como que o mesmo objeto, o mesmíssimo objeto, em maio ou junho custava menos de 60 milhões de reais e, em novembro, passa a custar 120 milhões?
COPopular- Diante do aumento no valor de um mesmo objeto contratado para as obras do BRT, que teria dobrado em cerca de quatro meses, quais esclarecimentos o governo deve apresentar ao Tribunal de Contas do Estado sobre os critérios utilizados nesses contratos?
Lúdio Cabral-O correto seria que os prefeitos das duas cidades, Cuiabá e Várzea Grande, além das duas câmaras municipais, se juntassem à Assembleia na cobrança ao governo, porque não faz sentido a população de Cuiabá e Várzea Grande continuar sofrendo com essa novela interminável do BRT. Outra questão é que estamos apresentando hoje uma representação ao Tribunal de Contas do Estado para buscar explicações sobre essa diferença de valores para um mesmo objeto. O mesmíssimo objeto dobrou de valor em um intervalo de apenas quatro meses.
COPopular- O senhor acredita que a falta de planejamento nas obras do BRT, incluindo pontos de alagamento e perda de materiais, possa ter contribuído para o aumento dos custos do projeto?
Lúdio Cabral-Na minha opinião, isso não justifica dobrar o valor. Estamos falando do mesmíssimo objeto, de um contrato novo. Não se trata das obras de pavimentação, nem daquele trecho que estava sob responsabilidade de um consórcio e depois foi transferido, por meio de contrato emergencial, para outro consórcio, que deveria ter concluído a obra até dezembro, depois fevereiro de 2025, e até agora não concluiu. Não é disso que estou falando. Estou me referindo a um outro contrato, que é o das estações do trecho 1.
COPopular- Deputado, como o senhor avalia a mudança de posicionamento do PL em relação à escala 6x1, já que integrantes do partido que antes demonstravam resistência ao tema agora passaram a defender modelos alternativos de jornada, como a escala 4x3?
Lúdio Cabral- Na verdade, isso é apenas para tumultuar, porque a população brasileira é inteligente e percebeu que o PL trabalha para os super-ricos e que não quer, de forma alguma, acabar com a escala 6x1. O partido quer manter a população trabalhadora, trabalhadores de supermercado, farmácia, shopping center, lojas, garis, garçons, nesse regime que considero ultrapassado e que, no século XXI, não deveria mais existir. Tanto que eles propuseram uma emenda para estabelecer uma espécie de transição de 10 anos e outra permitindo supostas negociações diretas, que poderiam elevar a carga horária de um trabalhador para até 52 horas semanais. Então, eles perceberam o tamanho do erro que cometeram ao se posicionarem contra o tema e, agora, estão apenas tumultuando com essa história de defender a proposta original.



