O presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, deputado estadual Max Russi, concedeu entrevista abordando os principais desafios e movimentações políticas do Estado. Entre os temas tratados, Russi comentou sobre a possível migração de deputados federais do União Brasil para o Podemos, a formação de chapas eleitorais e estratégias partidárias envolvendo secretários e parlamentares.
O parlamentar também se posicionou sobre a situação de obras e licitações de hospitais regionais, incluindo o Hospital Júlio Miller, e sobre a atuação da CPI da Saúde, destacando o papel da Assembleia como instrumento de fiscalização e controle das políticas públicas de Mato Grosso. A entrevista traz um panorama sobre articulações políticas, gestão de saúde e as expectativas da Casa Legislativa diante de questões estratégicas para o Estado.
COPopular- Presidente, o senhor foi procurado ou informado sobre articulações nos bastidores para que a chapa de deputados federais do União Brasil migre para o Podemos? Como ele avalia essa movimentação?
Max Russi- Não, não houve nenhum encaminhamento nesse sentido. Acho que isso é mais especulação. É claro que existem alguns convites. A nossa presidente nacional fez um convite à Gisela no dia do evento e, ao que parece, esse convite está sendo reforçado em Brasília. Também houve um convite ao Fábio Garcia, mas não houve nenhuma sinalização.
Eu, particularmente, ainda não tive uma conversa direta com a Gisela, mas pretendo ter, seguindo a orientação da nossa presidente nacional, Renata. No entanto, não há nenhum encaminhamento concreto. Acredito que seja mais especulação mesmo.
A chapa federal do União Brasil, com o PP, está bem estruturada. É uma chapa competitiva, forte, e com potencial para eleger deputados federais.
COPopular- Considerando que o secretário Rovelli, por ser militar, terá prazo maior para filiação e poderá avaliar melhor as chapas, o Podemos já iniciou conversas com ele e qual é a expectativa do partido em relação a uma possível filiação, diante da montagem ainda em andamento da chapa federal?
Max Russi- Não, o Rovelli tem uma vantagem. Por ser militar, ele poderá se filiar apenas em julho. Diferentemente dos demais candidatos, isso acaba sendo um ponto a favor dele.
Ele terá condições de analisar todas as chapas. Após o dia 4 de abril, encerram-se as filiações, com exceção dos militares. Portanto, ele poderá fazer essa avaliação com mais tempo.
É um bom quadro, um secretário atuante. E, caso opte por se filiar ao Podemos, temos muito interesse em contar com ele.
Como ainda estamos montando a nossa chapa, atualmente temos cinco nomes e faltam mais quatro para completá-la. O Podemos está de portas abertas para receber deputados federais com mandato e também aqueles que desejam disputar, mesmo sem mandato.
Temos algumas possibilidades e estamos trabalhando alguns nomes, mas nada definido até o momento. O prazo vai até o dia 4, e acreditamos que, até lá, teremos uma chapa bastante competitiva.
COPopular- Diante das conversas com diferentes partidos e da possível filiação ao Avante, como o senhor avalia a estratégia de Galvão e qual impacto essa decisão pode ter na formação de chapas e no cenário eleitoral no Estado?
Max Russi- Acho que o Galvão deve se filiar ao Avante, embora eu não tenha certeza. Tivemos algumas tratativas e conversas. Na minha avaliação, o caminho que ele está adotando é o correto. Ele também dialogou com o Podemos e com o PRD, mas ele próprio pode detalhar melhor essa situação.
O Avante é um partido que ainda está em processo de construção no Estado. No momento, não possui candidaturas definidas para deputado estadual ou federal. Há a possibilidade de uma candidatura ao Senado, caso ele realmente se filie à sigla.
Além disso, ele deve levar consigo alguns nomes para disputar vagas de deputado federal e também para deputado estadual.
COPopular- Presidente, após a repercussão do vídeo do deputado Moreto participou de um evento com o governador Mauro Mendes que teria comemorado o resultado de uma licitação envolvendo sua própria empresa, como o senhor avalia essa situação e quais implicações ela pode ter?
Max Russi- Não, deputado não pode ter empresa. Isso vale não apenas para o deputado Moreto, mas para qualquer parlamentar. Acredito que ele tenha comemorado a obra do hospital.
A licitação do hospital ainda não aconteceu, mas vai acontecer. Ele trabalhou bastante para que essa obra fosse definida e para que Ponte Lacerda recebesse um hospital regional. Parte do recurso foi aportada pelo governo, e o terreno foi adquirido por meio de uma emenda pessoal dele.
Eu não estive presente no evento, mas pelo que acompanhei nas redes sociais, parece que o governador deu a ordem de serviço. Pelo que entendi, ele não estava no evento, mas pediu que algumas licitações fossem realizadas.
São obras importantes para as regiões, e acredito que o deputado tenha comemorado essas conquistas. Quanto à questão de ter empresa, ele não pode. Se houver alguma empresa em nome dele prestando serviço, certamente não estaria correto, e a situação será acompanhada pelos órgãos de controle, como o Ministério Público. Nenhum deputado, nem ele nem parentes, pode prestar serviços ao Estado ou aos municípios.
COPopular- Qual é a situação atual do Hospital Júlio Miller? O prazo que havia sido estabelecido para debater o tema já foi cumprido e o destino da unidade foi definido?
Max Russi- Não, ainda não foi resolvido. Vou cobrar o deputado Wilson Santos, que ficou responsável por esse encaminhamento. Ele apresentou o projeto, recolheu as assinaturas dos demais deputados e era dele a função de dar seguimento.
O prazo já venceu, e foi bom você me lembrar. Vou aproveitar para cobrá-lo e buscar uma solução para esse problema.
Como eu disse, ainda temos tempo, pois a obra só será concluída no próximo ano. Mas, mesmo assim, quanto antes for resolvido, melhor, traz mais tranquilidade para todos, principalmente para os profissionais envolvidos.
COPopular- Como presidente da Assembleia, como o senhor acompanha e responde às críticas do governo do Estado, que alega cunho político na CPI da Saúde, considerando que a comissão é composta por membros da base, independentes, oposição e também governistas?
Max Russi- Eu não vejo isso como uma provocação. Toda CPI é composta por parlamentares que fazem política, então, de certa forma, toda CPI tem cunho político.
Agora, enquanto instituição e mecanismo de controle, a CPI tem uma responsabilidade clara. Ela não pode acabar em pizza; precisa investigar de forma séria e prestar contas à imprensa e à população de Mato Grosso, que acompanha os trabalhos e os resultados da comissão, no caso, da CPI da Saúde.
Acredito muito nos parlamentares que fazem parte dessa CPI. Vou acompanhar de perto os trabalhos, sem participar diretamente, porque o presidente não tem esse poder, para garantir que tudo ocorra corretamente.
O objetivo é que os trabalhos avancem, sem crucificar ninguém de forma antecipada, mas conduzindo uma investigação imparcial, que possa, ao mesmo tempo, melhorar a saúde do Estado de Mato Grosso e esclarecer dúvidas da população sobre a saúde pública no estado.



