Em entrevista ao COPopular, o deputado estadual e presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, Max Russi, falou sobre o andamento da CPI da Saúde, a preparação da Assembleia para o processo eleitoral, e os movimentos políticos em torno das eleições estaduais. Entre os assuntos abordados, o parlamentar comentou sobre a publicação do parecer da Procuradoria da Casa, a definição de nomes para participação na CPI, a atuação da Assembleia frente a denúncias e fake news, além das articulações políticas envolvendo possíveis candidaturas ao Senado, vice-governadoria e a ampliação do quadro partidário do Podemos no estado.
Durante a conversa, Max Russi também detalhou o planejamento do partido para as próximas eleições, destacando a importância de um partido forte e representativo, a filiação de lideranças locais e a elaboração de um plano de governo para Mato Grosso, além de abordar temas sensíveis como a reforma tributária estadual que terá impacto a partir de 2032.
COPopular- Já foi emitido o parecer da Procuradoria da Casa sobre o relatório da CPI da Saúde?
Max- Tem, tenho o parecer. Nós vamos torná-lo público agora na sessão.Vou cobrar novamente dos deputados para que os blocos indiquem os nomes dos participantes, para que possamos dar seguimento a esse trabalho. Assim, nos próximos dias, se não houver nenhuma intercorrência ou ação judicial, poderemos realizar a instalação e abertura da CPI. O entendimento da nossa procuradoria é que as assinaturas foram feitas, foram validadas, lógico que tem a colocação dos deputados, mas a procuradoria entende que tem que dar seguimento e nós vamos optar por esse encaminhamento.
COPopular- Presidente, o regimento interno da Casa prevê algo sobre o prazo, já que os deputados alegam que o documento foi assinado há dois ou três anos? É possível retirá-lo ou não há previsão para isso?
Max- Não tem isso. Duas coisas: não há previsão no regimento e não consta a data no ofício. Portanto, é algo que não conseguimos considerar.Além disso, haveria dificuldade se não fosse dentro da mesma legislatura. Se fosse na legislatura seguinte, realmente não seria possível dar seguimento. Como estamos na mesma legislatura, isso não é, no entendimento da Procuradoria, um fator para encerrar os trabalhos.
COPopular- Após a instalação da CPI, o deputado ainda pode solicitar a retirada de seu nome, ou isso não é permitido?
Max- O deputado pode, a qualquer momento, optar por participar ou não. Isso é discricionário de cada um, e eu respeito a posição de cada deputado. Já fizemos a publicação e vamos dar seguimento a esse trabalho, mas a instalação não será hoje, pois ainda não há as indicações dos blocos.Vou reiterar o pedido e conceder cinco dias para que os blocos apresentem os nomes de seus representantes, já que ainda estamos definindo as comissões.Espero que o líder do governo encaminhe hoje os nomes dos participantes das comissões. A responsabilidade está com o deputado Dilmar para que possamos fazer a publicação das comissões, juntamente com os blocos, que deverão indicar os membros que participarão desta CPI.
COPopular- Senhor já havia pedido aos blocos que fizessem as indicações antes do Carnaval. Passados alguns dias, o senhor não tem visto movimentação nesse sentido? Há alguma resistência, ou o deputado Wilson está conduzindo o processo sozinho?
Max- Não, não. Havia uma dúvida sobre se o processo iria continuar ou não e se haveria alguma judicialização nesse sentido. Por isso, estávamos aguardando a manifestação da Procuradoria.Agora, com isso finalizado, vamos tornar público e abrir o prazo. Tenho certeza de que, nos cinco dias, os blocos farão as indicações. Caso não o façam, também existe essa prerrogativa de não indicar ninguém, e caberá ao presidente fazer a indicação em nome dos blocos.
COPopular-O senhor acredita que a Assembleia está preparada para lidar com esse tipo de ‘vale-tudo’ de denúncias no processo eleitoral, como aconteceu com Júlio Campos?
Max- Sim, estamos preparados. Não gostaríamos que houvesse qualquer situação nesse sentido. Mas estamos avançando em muitas frentes, como o combate às fake news, o uso de inteligência artificial e outros mecanismos que realmente nos preocupam enquanto candidatos, com a aproximação do processo eleitoral. Esses problemas podem surgir até mesmo na véspera da eleição.Estamos atentos a essa situação e já comunicamos oficialmente ao Tribunal Regional Eleitoral. Sei que o Tribunal já está atuando nesse sentido, mas considero importante disponibilizar a estrutura de comunicação da Assembleia, por meio da Secretaria de Comunicação, ao Tribunal. Quero deixar isso público: nossa estrutura pode ser usada para campanhas de conscientização e para informar a população sobre a importância do voto.Todos os meios de comunicação da Assembleia poderão ser utilizados para esclarecer o eleitor, já que alguns fatores podem influenciar diretamente a escolha do voto. Não existe nada mais democrático e participativo do que o voto. O processo eleitoral precisa ser totalmente democrático, sem qualquer interferência, muito menos interferência baseada em mentiras.
COPopular- Presidente, a primeira-dama de Mato Grosso afirmou que Mauro já decidiu se candidatar ao Senado. Ele já conversou com os aliados sobre isso, e o senhor chegou a ser informado ou comentado algo sobre a candidatura?
Max- O Mauro sempre diz que vai ouvir a família em primeiro lugar. Quando a mensagem vem da esposa, é um sinal de que a família concordou e que ele será candidato. Isso fortalece ainda mais a certeza da candidatura de Mauro ao Senado. Mas não tivemos nenhuma conversa ainda.
COPopular- E sobre as conversas de que Janaína poderia ser vice-governadora do Pivetta, se isso se concretizar, o senhor considera essa escolha interessante?
Max- De forma oficial, eu não ouvi nada nesse sentido, mas de forma informal, por meio da imprensa, de conversas políticas e do burburinho, temos escutado muito sobre isso.Acho que é uma articulação que deve estar sendo feita. A Janaína negou ter interesse nesse cargo, e ela é melhor do que eu para falar sobre isso, mas temos ouvido bastante sobre esse encaminhamento.Recebo essa intenção de alguns setores políticos do Estado. Se houver, de fato, uma construção maior nesse sentido, posso garantir que o deputado Marcos não está participando, nem é o partido que eu vou integrar, o Podemos, a partir do dia 7.
COPopular-Presidente, com as novas filiações marcada para o dia 7, o senhor pretende indicar alguém para vice ou para suplente no Senado? E há alguma intenção de incluir o empresário Elson Ramos nesse contexto?
Max-O partido que não brigar por espaços, que não indicar nomes, que não tiver dentro de seus quadros candidatos a governador, senador, vice ou suplente, não é um partido forte, nem representativo.Acredito que qualquer partido que se considere minimamente relevante deve ter quadros consistentes. Nós queremos construir um partido forte, bem representado, com grandes quadros: servidores públicos, empresários, profissionais liberais, agricultores, jornalistas, em resumo, um quadro partidário que envolva toda a sociedade. Um partido que não apresentar nomes não é forte. O Podemos quer ser um partido forte em Mato Grosso.Vamos filiar mais de 15 prefeitos, três deputados estaduais e diversas lideranças que colocarão seus nomes para disputar as próximas eleições em todos os 142 municípios de Mato Grosso. O Podemos chegará forte e pronto para sentar à mesa para conversar. O nosso interesse é formar uma boa bancada de deputados estaduais e federais.O nome de Elson é de grande relevância e muito preparado. Se ele tiver disposição, será um nome que o partido poderá apresentar, e há outros nomes dentro do partido que também poderão ser lançados. Mas o foco do Podemos será trabalhar um plano de governo consistente para Mato Grosso.Acredito que esse será o principal debate para a definição do nosso apoio a candidaturas majoritárias. Temos uma reforma tributária que preocupa o estado e que, a partir de 2032, exigirá planejamento cuidadoso. Portanto, esse tema precisa estar na balança, presente no plano de governo e na avaliação dos candidatos a governador, pois é um assunto sensível e preocupante para o nosso estado.



