A Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda revisou para cima suas projeções de inflação para 2026 e 2027. Segundo o órgão, o IPCA deve encerrar o próximo ano em 4,5%, acima da estimativa anterior de 3,7%, atingindo o limite superior da meta de inflação.
Para 2027, a projeção também foi elevada, passando de 3,0% para 3,5%. Apesar da revisão, a SPE manteve a expectativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2,3% para este ano.
De acordo com a secretaria, a piora nas projeções inflacionárias está relacionada principalmente aos efeitos do conflito no Oriente Médio sobre o preço do petróleo e seus derivados, o que tem repercussão direta nos custos internos.
A meta de inflação do país é de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos, variando entre 1,5% e 4,5%.
Mesmo com a elevação das projeções, o governo mantém estimativas mais otimistas que o mercado financeiro. O último boletim Focus do Banco Central aponta inflação de 4,92% em 2025, acima do teto da meta.
A SPE avalia ainda que parte da pressão inflacionária pode ser compensada por fatores como a valorização do câmbio, projeções de juros mais elevados e medidas governamentais para conter o preço dos combustíveis.
No cenário externo, o relatório destaca uma deterioração significativa desde o início das tensões no Oriente Médio, com impactos sobre o crescimento global e aumento das pressões inflacionárias.
No cenário interno, a secretaria indica sinais de recuperação gradual da atividade econômica, após um período de estabilidade no fim de 2025, mas prevê desaceleração no segundo e terceiro trimestres, com possível retomada no fim do ano.
A SPE também estima impacto fiscal positivo relacionado ao aumento da arrecadação com royalties, tributos sobre petróleo e exportações, que pode chegar a cerca de R$ 8,5 bilhões mensais.



