O Brasil foi o único entre os principais mercados domésticos de aviação do mundo a registrar crescimento na demanda por voos em junho, segundo dados divulgados pela Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA). O levantamento aponta que o tráfego aéreo doméstico brasileiro avançou 0,9% na comparação com o mesmo mês do ano anterior, na medição feita pelo indicador de passageiro-quilômetro pago (RPK).
O desempenho brasileiro destoou do cenário internacional. De acordo com a entidade, a demanda global por transporte aéreo caiu 1,7% em junho, com retração de 0,9% nos voos internacionais e queda de 3% nos mercados domésticos.
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Entre os grandes mercados internos, todos apresentaram redução ou estabilidade. A China registrou a maior queda, de 5,2%, seguida pelo Japão, com recuo de 3,8%. A Austrália foi o único outro país sem retração, mantendo estabilidade no período.
No Brasil, o crescimento da demanda veio acompanhado de expansão da oferta. A capacidade dos voos domésticos aumentou 4%, o que provocou uma redução de 2,5 pontos percentuais na taxa de ocupação das aeronaves, que passou para 80,2%.
Os dados da IATA, no entanto, apresentam diferença em relação aos números divulgados pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), que apontaram uma queda anual de 1,2% na movimentação doméstica no mesmo mês.
No cenário internacional, a aviação registrou desaceleração em diversas regiões. Companhias aéreas da Ásia-Pacífico tiveram queda de 2% no tráfego de passageiros em junho, influenciada principalmente pela redução da demanda em mercados domésticos como a China e pela pressão dos custos de combustível.
Na América do Norte, o movimento recuou 1,1%, refletindo a menor demanda no mercado interno dos Estados Unidos e uma gestão mais restritiva da oferta internacional. Já as empresas do Oriente Médio registraram queda mais intensa, de 13,9%, embora em ritmo menor que o observado em maio, após a redução das interrupções causadas por conflitos regionais.
A Europa apresentou leve crescimento de 0,8% no transporte de passageiros, impulsionado pelo avanço dos voos internacionais. A América Latina e o Caribe tiveram alta de 1,5%, enquanto a África registrou o maior crescimento regional, com expansão de 3,8% na comparação anual.
Apesar do cenário de desaceleração em alguns mercados, a IATA avalia que a demanda global segue influenciada por fatores como custos operacionais, preços de combustíveis e ajustes na capacidade das companhias aéreas.
A entidade representa mais de 370 empresas do setor aéreo em todo o mundo, responsáveis por aproximadamente 85% do tráfego aéreo internacional.



