A inadimplência no crédito rural entre produtores rurais pessoas físicas voltou a crescer em maio e alcançou 7,6%, segundo dados divulgados pelo Banco Central. O índice representa uma alta expressiva em relação ao mesmo período do ano passado, quando estava em 1,6%, evidenciando o agravamento do endividamento no campo.
Na comparação com abril, quando a taxa era de 7,5%, o avanço foi discreto. Ainda assim, o percentual permanece próximo do recorde registrado em março deste ano, de 7,7%.
Entre os produtores rurais pessoas jurídicas, a situação continua mais controlada. A inadimplência fechou maio em 0,8%, acima dos 0,5% registrados um ano antes, mas distante do pico de 5,9% observado em 2019.
Os dados também mostram aumento no volume de operações consideradas problemáticas, que incluem contratos inadimplentes, renegociados, prorrogados ou em atraso. Esse montante passou de R$ 188 bilhões em abril para R$ 201,8 bilhões em maio, o equivalente a quase 23% de toda a carteira ativa de crédito rural no país.
O crescimento foi puxado principalmente pelas operações prorrogadas, que saltaram de R$ 28,5 bilhões para R$ 38,4 bilhões em apenas um mês. Já o valor das parcelas em atraso aumentou de R$ 15 bilhões para R$ 18 bilhões. No mesmo período, o saldo de operações consideradas em situação regular caiu de R$ 707 bilhões para R$ 686,9 bilhões.
O aumento do endividamento tem ampliado a pressão de produtores rurais, entidades do setor e parlamentares sobre o governo federal. Nesta semana, agricultores do Rio Grande do Sul realizaram manifestações e intensificaram a mobilização em Brasília em defesa da aprovação do Projeto de Lei nº 5.122/2023, que prevê mecanismos para renegociação das dívidas do setor.
Na terça-feira (30), o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o governo prepara uma nova proposta de renegociação das dívidas rurais, inspirada no programa Desenrola. Segundo ele, a intenção é atender produtores que enfrentam dificuldades financeiras, mas sem criar um programa amplo que beneficie quem não necessita da medida.
Enquanto isso, representantes do agronegócio demonstram preocupação com o alcance da futura proposta. O setor avalia que iniciativas anteriores tiveram baixa efetividade devido às exigências e à burocracia para acesso aos recursos, o que limitou significativamente o número de produtores atendidos.
O tema segue em negociação entre o governo e o Congresso Nacional. O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), já indicou que pretende discutir o impacto fiscal da proposta antes de decidir sobre a votação do projeto que trata da renegociação das dívidas do setor agropecuário.



