A dor e os processos inflamatórios estão entre os fatores que mais comprometem o desempenho dos bovinos de corte e podem gerar prejuízos significativos aos pecuaristas. O alerta é do médico-veterinário Mateus Souza, coordenador técnico da Boehringer Ingelheim, que destacou que o problema vai muito além do bem-estar animal e afeta diretamente os índices de produtividade nas propriedades.
Segundo o especialista, quando um bovino sente dor, seu comportamento muda imediatamente. O animal reduz o consumo de alimento e de água, movimenta-se menos e passa menos tempo no cocho, o que compromete o Ganho Médio Diário (GMD). Com isso, parte da energia que seria destinada ao crescimento e à produção de carne é desviada para combater a inflamação e o estresse, reduzindo a eficiência da produção.
Outro efeito importante ocorre no rúmen, órgão responsável pela digestão dos alimentos. De acordo com Souza, a diminuição da ingestão de matéria seca provoca alterações na microbiota ruminal, composta por bilhões de microrganismos essenciais para a digestão. Esse desequilíbrio reduz a produção dos Ácidos Graxos Voláteis (AGVs), principais fontes de energia dos bovinos, comprometendo ainda mais o desempenho do rebanho.
Como consequência, os animais demoram mais tempo para atingir o peso ideal de abate, permanecem mais dias no confinamento e elevam os custos de produção das propriedades.
Para minimizar esses impactos, o veterinário ressalta a importância do diagnóstico precoce e do tratamento adequado das inflamações. Ele destaca ainda que a equipe responsável pelo manejo deve ser treinada para reconhecer sinais clínicos de dor, já que os bovinos, por instinto, tendem a esconder situações de fraqueza.
A orientação é que os produtores adotem protocolos sanitários e de manejo capazes de reduzir o estresse dos animais, preservando o consumo de alimento, a saúde do rúmen e, consequentemente, o desempenho produtivo do rebanho.



