19 de Julho de 2026

ENVIE SUA DENÚNCIA PARA REDAÇÃO
logo

AGRONEGÓCIO Segunda-feira, 18 de Maio de 2026, 16:18 - A | A

Segunda-feira, 18 de Maio de 2026, 16h:18 - A | A

NOVOS IMPOSTOS

Consumo de açúcar perde força em países ricos e avança em emergentes

Consultoria alerta para desaceleração global da demanda

Tangará Online
Redação
[email protected]

O consumo mundial de açúcar deverá crescer nos próximos anos puxado principalmente por países emergentes da Ásia e da África, enquanto economias desenvolvidas enfrentam uma demanda cada vez mais fraca por conta de mudanças nos hábitos alimentares, envelhecimento populacional e políticas de saúde pública.

A avaliação é da Hedgepoint Global Markets, com base em dados da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura. Segundo o levantamento, o consumo global deve avançar cerca de 1,2% ao ano e alcançar aproximadamente 202 milhões de toneladas até 2034.

De acordo com a projeção, cerca de 93% do crescimento líquido da demanda mundial deve se concentrar em países de baixa e média renda, especialmente na Ásia e na África. O avanço populacional, a urbanização acelerada e o aumento do poder de compra estão entre os principais fatores que sustentam essa expansão.

Já os países ricos devem registrar estabilidade ou até queda moderada no consumo. Segundo a consultoria, isso ocorre porque o açúcar perde espaço conforme as economias atingem níveis mais elevados de renda e os consumidores passam a buscar hábitos considerados mais saudáveis.

“O consumo de açúcar cresce rapidamente em países de renda mais baixa, mas tende a se estabilizar quando essas economias atingem patamares mais altos de PIB”, destaca o estudo.

Apesar da expectativa positiva para emergentes, a Hedgepoint afirma que esses mercados sozinhos não serão capazes de sustentar uma explosão na demanda global. Por isso, a consultoria projeta um crescimento mais tímido para os próximos ciclos.

A estimativa é de avanço de apenas 0,4% no consumo mundial na safra 2025/26, abaixo das previsões da FAO. Para 2026/27 e 2027/28, a expectativa média de crescimento gira em torno de 0,77%.

Outro fator que vem pressionando o setor são as medidas tributárias adotadas por diversos governos contra bebidas açucaradas. Segundo o levantamento, atualmente existem 119 impostos nacionais sobre bebidas adoçadas espalhados por 117 países, atingindo cerca de 57% da população mundial.

O estudo cita o caso do México, primeiro país das Américas a adotar esse tipo de taxação em 2014. Desde então, pesquisas apontam queda de 6,3% na compra de bebidas açucaradas, principalmente entre famílias de baixa renda.

A consultoria avalia que, embora ainda seja difícil medir o impacto total dessas políticas sobre o consumo global de açúcar, existe uma relação direta entre aumento de impostos e redução da demanda.

Mesmo a recente disparada no preço do petróleo, causada pelas tensões no Oriente Médio, não deve alterar significativamente o cenário do açúcar. Segundo a Hedgepoint, embora o etanol fique mais competitivo diante da gasolina em momentos de alta do petróleo, o atual movimento das usinas brasileiras ocorre mais por excesso de oferta de açúcar do que propriamente pela valorização do biocombustível.

“A redução do mix açucareiro aconteceu muito mais por um momento de sobreoferta de açúcar no Brasil do que pela melhora dos preços do etanol”, conclui o estudo.

 


Comente esta notícia

AVISO: Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do Tangará Online (tangaraonline.com.br). É vedada a inserção de comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros. O site Tangará Online (tangaraonline.com.br) poderá retirar, sem prévia notificação, comentários postados que não respeitem os critérios impostos neste aviso ou que estejam fora do tema da matéria comentada.


image