A indústria brasileira de café solúvel acompanha com preocupação a possibilidade de novas tarifas de importação impostas pelos Estados Unidos, principal mercado consumidor do produto. O setor avalia que a medida pode elevar os preços ao consumidor americano e afetar diretamente a competitividade do café brasileiro.
Atualmente, o café solúvel produzido no Brasil já está sujeito à tarifa global de 10% aplicada pelo governo norte-americano. No entanto, novas propostas em discussão podem elevar significativamente esse percentual.
A preocupação aumentou após a Representação de Comércio dos Estados Unidos (USTR) propor uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros. Paralelamente, o governo americano também anunciou a possibilidade de um acréscimo de 12,5% para produtos importados de dezenas de países, incluindo o Brasil. Caso ambas as medidas sejam implementadas, a carga tarifária sobre o café solúvel brasileiro poderá chegar a 37,5%.
Representantes do setor acreditam que o próprio mercado norte-americano pode exercer pressão para evitar a adoção das novas tarifas. Isso porque o café solúvel é amplamente consumido nos Estados Unidos e integra a cadeia produtiva de diversos produtos industrializados, como bebidas prontas para consumo e cafés gelados.
A Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics) destaca que o produto possui importância estratégica para o mercado americano e argumenta que eventuais aumentos de preços podem impactar diretamente milhões de consumidores.
Entidades do setor nos Estados Unidos também demonstraram preocupação com a possibilidade de encarecimento do produto. Além do consumo doméstico, o café solúvel é utilizado como matéria-prima por diversas indústrias alimentícias, tornando-se um item relevante para a cadeia de produção local.
A decisão final sobre a adoção das novas tarifas deve ser anunciada até o início de julho. Antes disso, autoridades americanas deverão realizar audiências para ouvir representantes dos setores afetados e avaliar os possíveis impactos econômicos da medida.
Enquanto isso, o setor brasileiro aposta no diálogo entre os governos dos dois países e na construção de um acordo que preserve o fluxo comercial e evite prejuízos para produtores, indústrias e consumidores dos dois lados.



