16 de Julho de 2019

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Quinta-feira, 11 de Julho de 2019, 09h:53 - A | A

GRAMPOLÂNDIA PANTANEIRA

PMs acusam promotores, mas Ministério Público não aceita delação

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WELINGTON SABINO Da Redação

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As propostas de delações premiadas de três integrantes da Polícia Militar presos e processados por causa dos grampos telefônicos ilegais, esquema conhecido como “grampolândia pantaneira’, foram rejeitadas pelo  Núcleo de Ações de Competência Originária (Naco), do Ministério Público Estadual (MPE). Os acordos foram propostos pelos coroneis Zaqueu Barbosa, ex-comandante geral da Polícia Militar, e Evandro Lesco, além do cabo Gerson Luiz Ferreira Corrêa Júnior.

A  informação é de que, pelo menos um dos militares, teria delatado membros do Ministério Público Estadual. Ele teria contado sobre autorização de verbas auxiliares dentro da instituição, que na verdade seriam "incrementos salariais".

O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-MT), Leonardo Campos, revelou a tentativa de acordo durante entrevista ao vivo na Rádio Capital FM na manhã desta quinta-feira (10), ocasião em que reafirmou a legitimidade da instituição em acompanhar de perto e cobrar celeridade nas investigações, principalmente no tocante às questões que também respingam em alguns membros do Ministério Público. “Revolta a lentidão que o Ministério Público está tratando esse assunto. A OAB não quer investigação, ela quer apenas acompanhar. Importante os esclarecimentos que ele pôs sobre colaboração premiada, ninguém sabia. Precisou a Ordem provocar e vir aqui questionar, olha é verdade que os militares queriam fazer delação? E  por que não foi aceito? Não estou pedindo para ele quebrar o sigilo”, argumentou Leonardo Campos.   

"Quero saber do doutor Domingos Sávio por que os investigados dos grampos tentaram delação e ele não aceitou. Por que? Quais os critérios?", questionou o presidente da OAB-MT.

Em entrevista por telefone na rádio, o procurador Domingos Sávio relatou que não poderia entrar em detalhes sobre a tentativa de acordo de colaboração dos três militares por conta do sigilo que qualquer delação requer. Porém, citou que os militares não teriam levado fatos novos às investigações.

DEFESA DA ORDEM

Leonardo Campos enfatizou que em Mato Grosso, a Ordem dos Advogados provocou e todas as delações envolvendo a Odebrecht tiveram o pedido levantado. “Todas as delações. Portanto, é direito da sociedade saber o que o delator falou, aqui nós pedimos levantamento das delações de Cézar Zílio, Pedro Elias, Allan Malouf, Permínio Pinto, e de todas que forem deferidas”, ressaltou.    

Também em entrevista à Rádio Capital FM, por telefone, o promotor Domingos Sávio, coordenador do Naco ressalta que a função de investigar é do Ministério Público e não da OAB. Ressaltou que não pode comentar o assunto uma vez que a colaboração premiada é algo sigiloso. “Determina sigilo absoluto, então o Ministério Público não pode divulgar, vazar sobre delação premiada”, ressaltou.

GRAMPOLÂNDIA PANTANEIRA

O escândalo da chamada "Grampolândia Pantaneira" veio à tona em maio de 2017 após reportagem exibida pelo Fantástico da Rede Globo com base numa denúncia do promotor de Justiça, Mauro Zaque de Jesus, que ocupou o cargo de secretário estadual de Segurança Pública na gestão de Pedro Taques (PSDB). 

Ao descobrir o esquema de interceptações telefônicas clandestinas  na modalidade “barriga de aluguel” operado por policiais militares ele comunicou Pedro Taques ainda em 2015, mas segundo ele, o gestor não fez nada para investigar. Em 2017 ele denunciou o caso na imprensa. 

Pelo esquema das interceptações telefônicas clandestinas, o próprio Pedro Taques, ainda na condição de governador, passou a ser investigado no Superior Tribunal de Justiça (STJ). Com sua derrota nas eleições de outubro e término do mandato,  investigação foi remetida ao Tribunal de Justiça de Mato Grosso em meados de março deste ano. 

Na Justiça de Mato Grosso tramita uma ação criminal na Vara Militar de Cuiabá contra cinco policiais que foram presos nos desdobramentos das investigações, incluindo o coronel Zaqueu Barbosa, ex-comandante geral da Polícia Militar. Na próxima semana, três deles serão reinterrogados e podem levar fatos novos ao caso.

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